Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 03/04/2020

De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês contemporâneo, se houver falhas no usufruto consciente dos mecanismos que proporcionam a liquidez social, haverá intempéries como, a violação de direitos humanos e a redução da confiabilidade nos temas disseminados. Dessa forma, a internet facilitou a informação. Contudo, o recorrente compartilhamento de mentiras e boatos online pode causar diferentes riscos a pessoas, empresas, governos, entre outras instituições que tem suas liberdades desrespeitadas. Nesse sentido, observa-se que as condições para o bom proveito das redes digitais, apresentam um cenário que requer cautela seja a partir de ensinamentos históricos, seja pelo aprendizado adquirido diariamente nessa nuvem de informações.

Mormente, ao analisar essa situação por um prisma estritamente histórico, nota-se que a liquidez na sociedade, se dá por uma modernidade pouco ligada às raízes do passado, como refere Bauman. De forma que, os ensinamentos e diretrizes das gerações passadas foram perdidos a medida que o advento da internet tomou conta do cotidiano, assim o cuidado com quem interagimos desapareceu junto com a importância dada à opinião alheia e à busca de fontes confiáveis. Uma vez que, páginas de notícias falsas engajaram cinco vezes mais do que as de jornalismo, como mostra um estudo realizado pela Folha de S. Paulo em fevereiro de 2018. Sob tal ótica o acesso a diversos dados é amplo, entretanto, a busca pela autenticidade e reflexão sobre esses, tornam-se cada vez mais escassas.

Além disso, cabe ressaltar que essas complexidades se instauram no caos estrutural relacionado a preceitos digitais referentes ao compartilhamento irrestrito e constante, de notícias e opiniões. Nesse sentido, constata-se que não é de hoje que a internet tem sido um veículo primordial na disseminação das Fake News e cabe aos veículos midiáticos combater com informações verdadeiras essa quantidade de falácias, como tem feito o projeto Comprova, coalização que reúne 24 organizações de mídia brasileiras no combate de notícias falsas. Assim, a gama de informações que chega a população é filtrada e garante um melhor cenário no confronto as mentiras e boatos.

Portanto, à luz dos fatos mencionados, torna-se imperativo que o Ministério da Comunicação, em parceria com recursos midiáticos, elabore projetos e políticas, em âmbito nacional, com o intuito de combater a disseminação de falácias na internet. Isto pode ser feito com o uso de “Merchandising Social”, por meio da criação de personagens fictícios que atinjam a população em seu horário nobre, e ressaltem a importância do cuidado com a veracidade das informações, incentivando assim o uso de recursos como o Comprova. Para que, por meio dessas ferramentas, sejam sanados os riscos dos sofismas contemporâneos.