Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 03/04/2020
Durante a Guerra Fria (1947-1991), a internet despontou como meio de investigação e espionagem. Nesse âmbito, essa tecnologia acabava por se tornar uma aliada de atitudes maléficas e de estratégias de guerra. Analogamente ao contexto hodierno, essa mídia social ocupa grande parte do tempo da população. Contudo, o caráter com o qual era utilizada na Guerra fria permanece: meio de discórdias e polêmicas. Dessa forma, é preciso analisar os riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet, representados não só pela alienação de quem recebe as informações, como também pelo prejuízo na imagem de indivíduos ou grupos sociais.
Nesse sentido, a propagação de notícias falsas termina por alienar os cidadãos mais vulneráveis - aquele expostos em excesso à internet. Nesse viés, o filósofo prussiano Immanuel Kant defendia que as pessoas deveriam ser tratadas como um fim em si mesmas, e não como um objeto. Assim, o contexto denunciado por Kant revela que a mentira na internet inviabiliza as pessoas como um fim em si mesmas - que passam a ser tratadas como objetos manipuláveis pela inverdade. Visto isso, torna-se evidente a ameaça que as falsidades representam à opinião própria e a urgente necessidade de mitigar tal situação.
Além disso, os boatos são potencialmente nocivos às imagens de determinados indivíduos - vítimas das atitudes fraudulentas. Nesse contexto, a filosofia contratualista designa que a vida em sociedade demanda a existência de uma ordem que garanta os direitos naturais - entre eles, a proteção da imagem e da dignidade. Com isso, a propagação de fatos inverídicos acerca de determinado cidadão acaba por violar uma garantia contratualista e também torna o sistema social ineficiente e negligente em cumprir o seu papel. Isto posto, não é razoável que os interesses cruéis da internet - nascidos na Guerra Fria - sejam símbolo deste caos: a violação do contrato social.
Portanto, diante dos riscos de compartilhar boatos e mentiras na rede, é preciso mitigar essa realidade. Para isso a mídia - televisão - deve divulgar, semanalmente, dicas de profissionais de tecnologia da informação sobre as melhores formas de se proteger dos informes falsos, a fim de evitar que a sociedade seja alienada. Por fim, as escolas precisam promover aulas mensais de cidadania, que levantem debates acerca do contrato social e do risco de propagar fatos inverídicos sobre a vida alheia, a fim de resguardar e proteger a imagem pública das pessoas. Sendo assim, é possível abrandar o caráter maldoso da internet, que foi destacado na Guerra Fria, e com isso, evitar o caos social em um mundo dominado pelas tecnologias virtuais.