Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
As fake news tem influenciado ativamente na realidade concreta da sociedade brasileira, como nas campanhas presidenciais e durante os tempos da pandemia de COVID-19. As pessoas recebem informações que não verificam a veracidade, não criticam e as repassam, transferem, virtualmente, a outras pessoas. Cria-se um ciclo de comunicação nos moldes da educação ‘‘bancária’’ - onde o conhecimento é apenas depositado no sujeito, sem o ato da problematização, reflexão acerca do objeto cognoscível.
O que leva os cidadãos a crerem em notícias falsas tem raízes epistemológicas. A pessoa em interação com a informação falsa a absorve sem contestá-la, a adere, aceita passivamente seu depósito. O objetivo dos financiadores das fake news é a objetificação das pessoas, sua reificação, coisificação. O que é apreendido pela pessoa é falso, com fins manipulatórios. O oposto da educação libertadora defendida por Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido. Evidentemente, existem dois lados: o de quem promove as informações falsas e o de quem as recebe e é alienado, ou as recebe e luta contra elas.
Para investigar as notícias e perfis falsos utilizados durante a campanha presidencial de 2018 foi instalada a CPMI das Fake News no Congresso. Há muitas pessoas que se contrapõem à CPMI, o próprio presidente da comissão já sofreu ameaças, bem como o instituto não-governamental E Se Fosse Você? - criado para combater os conteúdos falsos e o ódio nas redes - é atacado. Logo, a mentira serve a um determinado grupo da sociedade, que tira vantagens da alienação do povo, como, por exemplo, ao afirmar erroneamente que o coronavírus é fantasia midiática e que não deve haver isolamento – recomendado pelos médicos e comunidade científica - para a salvação da economia. Um grande empecilho para o desenvolvimento da libertação do cidadão, que é domesticado intelectual, moral e culturalmente, acreditando que a economia vale mais que a sua vida.
Tendo em vista a contradição exposta entre quem promove o ódio e as mentiras e seus receptores e denunciadores, o Poder Judiciário deve garantir que os órgãos governamentais e demais institutos não-governamentais possam combater às informações falsas mantendo suas integridades. Se faz necessária uma revolução cultural no Brasil, as secretarias de cultura devem criar projetos culturais, de círculos de diálagos de especialistas com as comunidades, para desmitificar as questões que as próprias comunidades demonstrarem dúvidas, visando o saber científico; o MEC, em conjunto com a população, deve construir projetos educacionais em que o educando seja o Sujeito de seu aprendizado, não um banco de depósitos e transferências de informações, podendo problematizar o que apreende.