Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
No livro “1984”, o escritor George Orwell retrata um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, além de alterar notícias e conteúdos, a fim de moldar a opinião pública a favor de um governante. Não distante do universo literário, tal obra pode ser relacionada ao compartilhamento de mentiras e boatos na internet, visando controlar os cidadãos. À vista disso, é certo que o sensacionalismo da imprensa e o uso da mentira para manipular os indivíduo traçam obstáculos para a divulgação de informações. Assim, cabe discutir os riscos do compartilhamento das fake news.
É relevante abordar, primeiramente, a influência das redes sociais em determinar as ações dos indivíduos. Quanto a esse fator, sendo a internet, na hodiernidade, o principal veículo de propagação de falas e de comportamentos, foi possibilitada, a divulgação em massa de informações tendenciosas, visando o subjugo da população em prol de interesses específicos. Essa conjuntura, reafirma o conceito da indústria cultural dos pensadores da Escola de Frankfurt: produzir conteúdos a partir do padrão comportamento do público, para direcioná-lo, torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível às manipulações.
Outrossim, é cabível analisar que as novas formas de interação com o conhecimento abriu portas para a manipulação dos indivíduos. Dentro desse ínterim, conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, a internet induz o indivíduo a ter um comportamento alienado. Nesse sentido, a divulgação de mentiras e boatos na internet contribui para que mais pessoas tenham pensamentos e comportamentos direcionados em prol de um interesse, na medida em que com a influência de fatores coercitivos, o cidadão perde sua opinião individual e junta-se a uma massa coletiva. Dessa maneira, a sociedade é posta em uma grande bolha sociocultural.
Em suma, são imperiosas medidas capazes de reverter a problemática abordada. Portanto, o Ministério da Educação deve, por meio de amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais especializados, lançar um plano interdisciplinar para ser aplicado em escolas, com o objetivo de desenvolver a capacidade de utilizar a internet a seu favor de modo responsável. Tal projeto deverá focar, primeiramente, em levar às escolas informações quanto a busca responsável por informações verídicas e, posteriormente, alertar quanto aos riscos do compartilhamento de fake news. Posto isso, poder-se-á mitigar tal realidade.