Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 16/04/2020
Os artigos 138 e 139 do Código Penal preveem sanções para os casos de calúnia e difamação nas redes sociais. Não obstante, a veiculação de mentiras e boatos tem se tornado recorrente nos meios cibernéticos e apresenta claramente uma condição infringente a lei. Nesse contexto, cabe analisar os riscos que esta pode causar na sociedade.
É importante pontuar, de início, que com tamanha facilidade de compartilhar mensagens na internet, muitas informações falsas são replicadas sem análise crítica de seu conteúdo. Ainda que com intuito positivo de propagar uma ideia, a falta de análise verídica da informação acaba por influenciar pensamentos, ideologias e atitudes de outrem. Prova disso, é a repercussão atual causada pelo Movimento Antivacina, utilizando como argumento de que a vacinação causa autismo em crianças. Contudo, diversas crianças deixaram de ser vacinadas o que acarretou no reaparecimento de doenças já erradicadas.
É fundamental pontuar, ainda, a afirmação de Arthur Schopenhauer: “Todo homem toma os limites de seu campo de visão como os limites do mundo”. Desse modo, uma opinião pessoal pode trazer riscos como a perda da popularidade de uma figura pública e ainda a perda de parcerias externas prejudicando, por fim, uma cadeia de pessoas. Prova disso, são os dados do jornal online G1 divulgados em março de 2020, ao afirmar que postagens feitas pelo Deputado Eduardo Bolsonaro, em seu perfil do Twitter, culpavam os chineses pela disseminação do Coronavírus (Covid-19) pelo mundo. Tal afirmação, de cunho opinativo, trouxe como consequência uma crise diplomática com a China, um dos 10 países que mais importa mercadorias do Brasil. Tornando-se notória a responsabilidade ao postar algo sem a prévia cautela podendo gerar relações de conflito e quebrar visões positivas da China para com o Brasil.
Dessa forma, é possível perceber que tal propagação pode causar sérios danos à sociedade. É preciso que as plataformas de veiculação de mensagens instantâneas e de redes sociais criem algoritmos e mecanismos de verificação que filtrem esse conteúdo. Assim, a postagem será analisada por uma Inteligência Artificial e pelos usuários que podem denunciá-la ao ser considerada falsa, proporcionando maior segurança da informação. Ademais, as mídias podem atuar na divulgação dessas leis colaborando para um maior entendimento das consequências e responsabilidades na veiculação de boatos e mentiras pela internet, bem como as sanções cabíveis aos transgressores.