Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 12/04/2020
A filósofa alemã Hannah Arendt desenvolveu o conceito de “banalidade do mal”, isto é, o mal praticado pelo homem comum, o qual não acredita possuir autonomia e responsabilidade pelos seus atos. Isso foi constatado durante o julgamento de Eichmann, um carrasco de Hitler, o primeiro alegava que apenas seguia ordens dentro do sistema nazista, eximindo-se da responsabilidade pelas mortes. Da mesma forma, pode-se dizer que esse conceito ainda é proeminente atualmente, na era da internet e das redes sociais, ele manifesta-se na forma de mentiras e boatos, oferecendo riscos ao indivíduo e à sociedade. Uma vez que é assim, é possível afirmar que as consequências disso não são apenas individuais, mas globais, pois, de um lado, tem-se a “cultura do cancelamento” e, de outro, manifestações pseudocientíficas, como o movimento antivacinação.
Primeiro, a “cultura do cancelamento” pode ser uma consequência do espalhamento de boatos na internet que rapidamente ganha repercussão nas redes sociais. Isso diz respeito à ação de cancelar uma pessoa porque ela fez ou disse algo que é reprovável por aqueles que a acompanham. O sociólogo Pierre Bourdieu afirmava que os indivíduos convivem por meio de interações sociais dentro de um determinado campo social e sua capacidade de influência será tanto maior, quanto maior for seu “capital social”- tudo aquilo que aumenta sua capacidade de ação dentro do campo. No entanto, na medida em que o indivíduo exprime atitudes reprováveis pelos seus “seguidores”, seu “capital social” é diminuído gradativamente. Assim, a pessoa “cancelada” torna-se vítima de ataques de ódio, que são reproduzidos facilmente em perfis do Facebook, por exemplo.
Paralelamente, o movimento antivacinação constitui-se como resultado do espalhamentos de inúmeras mentiras, as quais, obviamente, fogem às determinações da ciência. Para ilustrar. no século passado, viralizou um boato de que a vacina em crianças causava autismo. Isso causou imediatamente uma queda no número de crianças vacinadas. Mesmo com o avanço científico e com a expansão do acesso à informação, muitos insistem em se apegar à pseudociência. Isso configura-se também como uma “banalidade do mal”, pois inconscientemente todos os adeptos estão gerando prejuízos sociais e globais e, ainda assim, não acreditam ser responsáveis por eles.
Portanto, para alterar esse cenário são necessárias ações céleres e profícuas. Para tanto, o MEC, como um órgão responsável pela educação, deve realizar campanhas nas redes sociais, cujo intuito seja alertar e conscientizar a população sobre os riscos de propagar mentiras e boatos. Elas devem ser feitas através de imagens interativas, utilizando-se do humor e da ironia como um recurso expressivo. Assim, será possível diminuir paulatinamente o número de desinformações compartilhadas nas redes.