Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 07/04/2020
“Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade.”. A frase, enunciada por Joseph Goebbels, ilustra uma problemática, presente na contemporaneidade, sobre quais são as verdadeiras notícias e informações e como obtê-las. Visto que a partir do que é lido, ouvido e visto criam-se opiniões, a “alimentação intelectual” de inverdades tem se tornado relevante com o advento da tecnologia, tendo em vista que esta trouxe uma autoridade para o argumento de qualquer um. Sob essa ótica, quais são os riscos do compartilhamento de fraudes nas redes sociais?
A priori, a temática pode ser visitada na obra “1984”, de George Orwell. No livro, a sociedade descrita vive um momento extremamente ditatorial no qual toda a informação consumida pela população passa pelo Ministério da Verdade, o qual é encarregado de transformar o passado e o presente para validar as palavras do Grande Irmão, líder do país. Na ficção, a verdade é relativa, subordinada ao presente e à ótica que se tem sobre ela. Analogamente, hoje, tem-se uma ampla divulgação de notícias mentirosas nas redes sociais, essas, tal qual em “1984”, são muitas vezes tendenciosas e algumas com o intuito de fazer a população geral atender a certo objetivo político.
A posteriori, na atualidade, a sopreposição da ciência pelo empirismo tem agravado os efeitos dos boatos na internet. Filosoficamente, o “positivismo”, de Augusto Comte, traz a ideia de que o ser humano passa por estágios até alcançar o pleno conhecimento, encontrado no racionalismo e no idealismo. Porém, contrariando a ordem estabelecida por Comte, observa-se uma regressão nos dias atuais: no Brasil, tem crescido a crença na mitologia e em explicações infundadas cientificamente para explicar os fenômenos, mesmo havendo provas científicas mostrando o contrário. A terra plana e a descrença na vacinação são exemplos desse movimento, o qual tem se agravado pelas redes sociais.
Portanto, tendo em vista a complexidade da problemática, faz-se imprescindível uma força-tarefa para solucioná-la. À mídia cabe o papel de desmascarar notícias fraudulentas usando seu poder influente na sociedade, trazendo sempre fontes legítimas e argumentos de autoridade para mostrar a população o ponto de vista verdadeiro daquilo que é amplamente divulgado nas redes. À Escola compete não suprimir o intelecto investigativo do estudante, fazendo que o mesmo passe sempre a questionar aquilo que vê e ouve em quaisquer meios comunicativos. E, por fim, concerne ao Ministério encarregado da Comunicação criar estratégias computacionais, com uma equipe técnica em sistemas, para detectar as falsas mensagens divulgadas nas redes, denunciando ao Poder Judiciário os autores e fazendo com que haja uma punição cabível a tais delitos. Assim, ter-se-á um Brasil mais verdadeiro, científico e voltado para o progresso, sem correr o risco de se afundar nas próprias mentiras.