Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, na segunda metade do século XX, inúmeras inovações modificaram o cotidiano dos indivíduos, entre elas, as novas tecnologias. Por conseguinte, o surgimento da internet viabilizou o acesso à informações em tempo real, mas, sobretudo, favoreceu a disseminação de “fake news” no contexto midiático. Com isso, aspectos relacionados à indústria de massas e suas consequências na vida dos indivíduos devem ser analisados.
Em primeiro lugar, é inegável que a mídia fomenta a necessidade de divulgação de informações nos indivíduos. Nessa perspectiva, a Escola de Frankfurt, concebida no século XX, se aplica à crítica da manipulação dos usuários por meio da indústria cultural, que elabora normas comportamentais e induz o homem a determinados posicionamentos no contexto midiático. Desse viés, é indiscutível a influência da tecnologia na vida das pessoas, uma vez que divulgações de conteúdos inverídicos são muito frequentes e refletem diretamente no cognitivo popular.
Em segundo lugar, é válido analisar a influência do vasto compartilhamento de notícias e informações falsas na saúde física e cognitiva dos indivíduos. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, coercitividade é a pressão que o homem é submetido dentro do corpo social. Nesse sentido, o indivíduo, impulsionado pelo desejo de pesquisar e divulgar informações nas redes sociais, gera um processo de cadeia gradativa em que mensagens são divulgadas sem rigor com relação às fontes e, consequentemente, geram desequilíbrios na dinâmica social.
Com base no exposto, medidas devem ser tomadas para que esse cenário seja revertido. Logo, concerne ao Governo Federal, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, elaborar projetos de fiscalização das plataformas de notícias - por meio da análise quanto à legitimidade das divulgações - a fim de evitar que os indivíduos sejam expostos a conteúdos falsos que, de alguma forma, provocarão pânico na população. Ademais, é oportuno que o Ministério da Educação articule e desenvolva formas pedagógicas de inserir a educação digital no contexto escolar - com aulas que ensinem a forma de utilizar as plataformas virtuais e a importância de não compartilhar informações sem legitimidade - com a finalidade de evitar que as pessoas sejam bombardeadas com conteúdos falsos, amenizar a histeria induzida pela mídia controladora e evitar que haja manipulação dos usuários nos sites de notícias.