Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 16/04/2020
França, final do século XVIII, o ano de 1789 é de crise com colheita ruim. ‘‘Se não tem pão, que comam brioches!". A frase falsa atribuída a Maria Antonieta, mulher do rei, estampou panfletos distribuídos por uma França faminta. A imagem de uma rainha soberba debochando do povo se espalhou. Não era verdade, mas as “fake news” dos brioches lhe custou o pescoço.
As notícia falsas já existiam muito antes da internet, e a máxima do Ministro de propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, que diz, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, prova-se verdadeira em qualquer época. O fato é que a velocidade com que as informações circulam hoje por meio das redes sociais e mídias digitais, tornou a averiguação dos conteúdos uma tarefa desafiadora.
O repasse de “posts” mentirosos e sem especulação, bem como a negligência dos compartilhadores, provocam consequências. Um exemplo prático do impacto que as “fake news” podem ter, foi o famoso episódio das vacinas que supostamente provocavam autismo nas crianças. O artigo publicado na década de 90, mesmo sendo desvalidado pelos cientistas, foi precursor de vários movimentos anti-vacinação, que ainda persistem na atualidade, fora as mortes e a volta de doenças que já haviam sido controladas.
Logo, percebe-se que as “fake news” funcionam como uma espécie de jogo de poder, convencimento e até ferramenta de manupulação, como quando os dados de milhões de usuários do Facebook foram usados na campanha de Trump. Nisso, é fato que o “fake” ganha rapidamente as redes, e que o compartilhamento de mentiras na internet alem de manipular eleições, pode causar mortes, espancamentos, constrangimentos, injúria e difamação.
Portanto, para frear o repasse frenético de noticias falsas, é necessário uma maior fiscalização na divulgação do que é verdadeiro e do que é falso. Isso seria possível por meio de uma parceria entre os as redes sociais e as justiças de cada país, com o intuito de incentivar denúncias, afim de punir judicialmente os criadores desse tipo de conteúdo. Somados a isso, investir, por meio de verbas governamentais, em informar e orientar os usuários sobre como utilizar das redes com responsabilidade, bem como o incentivo a averiguação de cada informação recebida. Somente com tais medidas, “Marias Antonietas” não terão suas reputações, bem como sua vidas ameaçadas por quais quer “fake news” de brioches.