Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
Segundo afirmou Sócrates em uma de suas parábolas, a informação para ser publicada precisa passar por três peneiras das quais a primeira é a da verdade. Em contrapartida, os indivíduos contemporâneos fazem do mundo virtual um palco de boatos e mentiras, caracterizando a era da pós- verdade a qual se manifesta como um desafio, seja pela falta de informação crítica da sociedade, seja pela expressiva indústria cultural.
Em primeira análise, é pertinente salientar a ausência de uma criticidade por parte da maioria das pessoas e suas implicações na massificação populacional. Definido como um pensamento o qual questiona as mais diversas suposições, o senso crítico se destaca como meio de formação intelectual que busca uma sociedade capaz de ler, escrever, falar e ouvir de forma crítica. Dado isso, a falta de capacitação intelectual dos cidadãos no julgamento de informações publicadas, torna a população suscetível à manipulação de mídias sociais. Logo, a carência do discernimento acerca das notícias falsas auxilia na propagação dessas.
Em segunda análise é cabível discorrer sobre a tática utilizada pelos meios de comunicação de massa. Conforme conceituaram em sua obra a “Dialética do Iluminismo”, Adorno e Horkheimer definiram indústria cultural como um sistema político e econômico o qual produz bens de cultura com a finalidade de torná-los produtos de consumo ou utilizá-los com uma estratégia de controle social. A partir desse pensamento, nota-se que as intenções lucrativas do sistema, impõem, aos receptores das notícias, ideologias sejam elas fundamentadas ou não. Assim, a TV, o rádio, os jornais e a internet ao invés de contribuírem para formar cidadãos críticos, mantém-os alienados e cercados de informacões adulteradas.
É indispensável, portanto, a intervenção civil e estatal. O Estado, nesse contexto, deve promover rigor nas leis que criminalizam a divulgação de notícias falsas no âmbito virtual, proporcionando punições severas. Simultaneamente, ONG’S devem instituir projetos de divulgação acerca das consequências jurídicas às pessoas que compartilham e publicam esse tipo de notícia - ambas no intuito de reduzir a propagação das chamadas “fakes news” . Outrossim, é importante a mídia agir em conjunto com a escola, essa criando debates sobre a conscientização do indivíduo acerca de seus compartilhamentos nas redes sociais, a fim de desenvolver um corpo estudantil mais crítico e aquela informando por meio de peças publicitárias sobre o cuidado a ser tomado com manipulação nas mídias sociais, estimulando o senso crítico da população. Talvez assim no futuro, a questão em voga não seja mais um problema.