Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 07/04/2020

No governo do presidente Getúlio Vargas a disseminação de uma notícia falsa, o chamado Plano Cohen, pôs em cheque o poder que as fontes de comunicação possuem. Hodiernamente, com a evolução da internet as notícias são propagadas em uma célere velocidade provocando, comumente, várias discussões quanto aos riscos de compartilhar boatos ou mentiras nesse ambiente. Isso se deve, ora pelo anonimato que se tem nas redes, ora pela falha na educação digital da sociedade contemporânea. É imprescindível, portanto, que fatores sejam analisados para reverter tal panorama.

Em primeiro plano, é válido destacar que o anonimato fomenta uma ação, muitas vezes, irresponsável do usuário. Dessa forma, pode-se apontar a falta de leis que tramitam o mundo virtual como o principal precedente para a elaboração e estruturação da “fake news”. Além disso, o perfil desconhecido, fundamentado na ausência de regulamentações, cria e compartilha informes não verídicos e, não raro, usa desses perfis para destilar ódio que, geralmente, têm consequências extremamente graves. Para exemplificar, o caso de conhecimento nacional da dona de casa do Guarujá em São Paulo, Fabiane Maria de Jesus, morta pela vizinhança por causa de um retrato falado postado em um perfil anônimo no Facebook, acusando-a de magia negra. Isso mostra, o quão sério é a distribuição de conteúdos sem a devida checagem da veracidade e como é inadmissível a postura de alguns cidadãos diante disso.

Outrossim, é explanar a falta de educação digital dos brasileiros, e como isso pode ter impactos profundos dentro da sociedade “canarinho”. Nesse ínterim, é imperioso dizer que não houve nenhum “manual” preestabelecido para compreender a recente globalização informacional, visto que, em suma os indivíduos mostram o despreparo ao utilizar essa ferramenta poderosa. Ademais, há diversas falhas no sistema de ensino no que concerne às práticas escolares que, majoritariamente, assumem posturas tradicionais e ultrapassadas, que desfavorecem o amestramento digital, que por sua vez, poderia ser o auxiliador dos"bons modos" no meio cibernético. E em conforme com o ex-presidente sul-africano, Nelson Mandela -A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo- nessa ótica, os riscos oriundos das mentiras e boatos só serão atenuados quando esse tipo de educação for priorizada.

Depreende-se, portanto, de medidas consistentes para minorar os riscos causados por essa celeuma social que, infelizmente, está enraizada na modernidade. Para tanto, o Ministério da Educação - órgão responsável pela formação educacional- deve instaurar um sistema de ensino digital, de cunho obrigatório, em todas as escolas do Brasil, por meio da frequente utilização da internet no ambiente escolar, com o fito de formar futuros cidadãos com responsabilidade social e contrários as"fake news".