Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
Se deter informação fosse o mesmo que deter conhecimento, a internet seria o mundo das ideias de Platão e os humanos todos filósofos que acabaram de libertar-se com a invenção dos anos 60 e que agora, deleitam da perfeição do mundo racional. Porém, não foi o que aconteceu a partir da última revolução. Pelo contrário, a informação de fácil acesso tem permitido a disseminação rápida e hipnotizante de mentiras e equívocos que desfocam a população, fazendo-se assim uma problemática à se discutir.
É provável que durante as nove horas e quatorze minutos, em média, que o brasileiro passa conectado por dia (G1) que muito desse tempo tenha se perdido em frivolidades que a todo momento chegam, seja pelo feed de notícias ou pelos grupos de whatsapp. Mesmo que cercado de conteúdos potenciais, o que se vê é que grande parte dos brasileiros abandona o senso crítico se tratando do mundo virtual e assim, cede aos conteúdos criados pelo desejo do clickbait que propagam notícias que normalmente com um pouco mais de atenção se perceberia o exagero. Em seguida, essas pessoas compartilham e assim outras irão consumir o seu tempo em fatos destorcidos e que não permitem que tenha-se uma visão clara de como as coisas funcionam no mundo externo.
Assim também cria-se com essas correntes uma sociedade alimentada pelo caos que destoa entre o que é e o que não é. Tanto tempo leva-se para descobrir o que é certo que muitos desistem no meio do caminho e aqueles que não abdicaram, de tão cansados, talvez na próxima nem tentem. A polarização que se causa nos veículos de mídia, mas principalmente nas redes sociais, ameaça o estado democrático e o direito de dizer o que se entende, pois rouba o espaço da razão e da virtude que é a verdade. Em suma, temos uma sociedade que tem a propagação do excesso de informação como um vírus danoso.
Em contrante com o dever que desfaz, precisamos agir tão rápido quanto e encontrar maneiras para que mais pessoas desenvolvam anticorpos que salvem-as do vírus sensacionalista. É necessário que escolas em parceria com o Ministério da Educação e psicólogos orientem e ensinem para que o uso da internet seja feito por meio do conhecimento e da sabedoria sobre a ação individual. Também, o descaso com a sociedade daqueles que distribuem e dedicam-se somente a inventar boatos deve ser crime e por consequência, punido pela justiça brasileira e estes precisam passar ainda, por uma ação de reeducação. Somente através do conhecimento que a humanidade avança. Proteger a informação verdadeira é uma forma de garantir este avanço.