Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 08/04/2020
No filme “Meninas malvadas”, é retratado como o compartilhamento de notícias falsas pode afetar a vida das pessoas, como o que ocorreu com a professora de matemática que ao ser falsamente acusada por suas alunas de fazer uso de drogas, teve sua privacidade invadida e vida investigada. Fora da ficção os riscos de compartilhar mentiras e boatos podem ser a calúnia de pessoas e empresas como também a propagação da desinformação.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, com o aumento da tecnologia ficou muito mais fácil produzir conteúdos e divulgá-los, seja eles verdadeiros ou não. Em 2018, ano de eleições no Brasil, diversas “fake News” foram compartilhadas na internet, uma delas envolvia um vídeo íntimo do então candidato a governador de São Paulo João Dória, mais tarde foi comprovado que o vídeo não passava de uma montagem, mas até ter sua imagem limpa de novo, pessoas foram afetadas, além do próprio candidato, sua esposa também foi atingida, sendo alvo de ofensas e “memes” nas redes sociais. Desse modo, fica evidente o prejuízo que é compartilhar notícias sem conferir sua veracidade, mas também fica visível a falta de empatia por parte de muitos usuários com alguém que nem era candidata.
Por conseguinte, é importante ressaltar como é fácil criar mentiras e propagar a desinformação. Em 1998 um médico publicou em uma respeitada revista científica, a Lancet, uma relação entre a vacina tríplice viral e o autismo. Tal artigo chamou a atenção de pais que pararam de vacinar seus filhos, criando o Movimento Antivacina, e doenças que até então tinham sido erradicadas voltaram a surgir. De acordo com o filósofo Edgar Morin, a forma como produzimos conhecimento produz também ignorância, uma vez que, o mundo globalizado possibilitou o fácil acesso a informação e o artigo sobre as vacinas foi desmentido, ainda existem aqueles que deixam de vacinar as crianças e repassam essas informações como verdadeiras.
Portanto, é importante que o Governo tome providências para amenizar esse quadro. Para a conscientização a respeito do problema, urge que o Governo Federal crie, por meio de parcerias com as redes sociais de maior alcance como Facebook, Instagram, Whatsapp e Twitter, campanhas publicitárias e alertas informativos sobre os perigos de compartilhar “Fake News” e indique formas de verificar informações, como o de conferir as fontes das notícias. Certamente assim, pessoas inocentes não terão sua intimidade invadida como a Professora de “Meninas malvadas” e nem vidas serão perdidas pelo repasse de ignorância que é feito por movimentos como o Antivacina.