Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
Hodiernamente, com o advento da globalização atravessou-se barreiras alusivas a comunicação. Por conseguinte, houve uma democratização do acesso à informação e à cultura, todavia também houve uma facilitação da proliferação de boatos e notícias falsas pela internet. Não obstante, essa disseminação das chamadas “fake news” torna-se uma problemática da sociedade contemporânea, evidenciando-se não somente pela banalização do jornalismo, muitas vezes sensacionalista, mas também pela internalização da pós-verdade.
Precipuamente, é importante salientar que a população desenvolveu o hábito de primeiro compartilhar, sem verificar fontes e veracidade, para depois se informar de maneira íntegra, e o jornalismo sensacionalista perpetua essa lamentável prática. Exemplo disto é a atual situação do mundo frente a pandemia do novo coronavírus, onde diversas notícias falsas foram espalhadas, tais como a informada à imprensa, na Índia, pelo partido governista Bharatiya Janata, que incentivou a população a fazer o uso de excretas de vaca para curar o COVID-19. Notícias falsas como essa, repassadas pela imprensa, podem tornar-se um grave problema de saúde pública e comprometer a vida de inúmeras pessoas.
Não obstante, existe toda uma internalização da pós-verdade, para tal, pode-se fazer uma análise do atual movimento anti vacina, que tem como base um artigo publicado na revista “The Lancet” em 1998, escrito pelo cirurgião Wakefield, no qual relacionava-se a aplicação vacinas com surgimento de autismo. Outrossim, esse artigo foi retirado da revista após investigação, por alteração dos dados por parte do médico, de modo que não encontrou-se evidências da associação entre a vacina e o autismo. Não obstante, mesmo após ter sido retirado, serviu como base para surgimento dos movimentos no mundo inteiro, que culminaram no reaparecimento de doenças, até então erradicadas, como o Sarampo, que tornou-se novamente um problema de saúde pública e ceifou vidas.
Fica claro, portanto, que, ao passo que a tecnologia pode auxiliar no desenvolvimento humano, ela pode ser uma grande vilã, se usada de forma inadequada. Para dirimir essa problemática, é necessário que o Governo invista em formação de base, nas escolas, quanto ao uso das redes como única fonte de informação, para trazer a tona a importância do desenvolvimento de critérios no momento da absorção e compartilhamento de informações. Para além, torna-se necessário a criação de leis, por parte do poder Legislativo, para proibir a disseminação de fake news, punindo os agentes manipuladores que venham a promover essas notícias falsas e retirá-las do ar assim que identificadas. Desse modo, conforme Voltaire, a sociedade não se converterá em pedras ao ignorar a verdade.