Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
Não há nenhuma novidade no uso de informações falsas para atingir diferenciados objetivos. No século XXI, o que há de novo é o fato de que a tecnologia – como a internet e as redes sociais – está contribuindo ativamente na disseminação ampla de mentiras e boatos, resultando em ações exponencialmente perigosas, o que demonstra a necessidade do combate a prática de compartilhamento de informações com precedentes duvidosos.
É relevante abordar, primeiramente, que a história possui relatos que corroboram a importância da checagem de informações e seus efeitos caso isso não ocorra. Os “Protocolos dos Sábios de Sião” descrevem um alegado projeto de conspiração por parte dos judeus para atingirem a dominação mundial na época da Rússia Czarista. Apesar de comprovadamente falso, esse documento foi um forte influenciados do nazismo. Já no Brasil, o “Plano Cohen” – de 1937 – foi escrito por militares brasileiros e simulava uma revolução judaico-comunista. Tal documento acabou sendo utilizado na implantação da ditadura do Estado Novo.
Nesse contexto relativo aos riscos e efeitos de quando boatos são considerados uma verdade, o caso da Fabiane Maria de Jesus demonstra como a internet tem desempenhado um papel primordial nos últimos anos. A paulistana morreu em 2004 após ser confundida com uma suposta criminosa. Fabiane foi espancada até a morte por moradores da região em virtude de informações publicadas em uma rede social.
Sendo assim, é imperativo que governo e população atuem ativamente no combate ao compartilhamento de mentiras e boatos, principalmente no mundo virtual. No Brasil, o atual código de leis prevê punição para essa prática, porém, cita apenas o rádio e a televisão. Cabe, portanto, aos legisladores a inclusão da internet como passível de receber essa pena para que administradores de sites e redes sociais adotem uma política mais rigorosa contra as fake news. O papel da população nesse combate é o de usar de maneira ampla agências especializadas em checar a veracidade de notícias antes de repassá-las aos outros cidadãos.