Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 12/04/2020

Em 2018, nas eleições presidenciais brasileiras, a candidata a vice-presidência, Manuela d`Ávila, foi alvo de várias notícias falsas, que tinham como alvo principal a deterioração da figura feminina da candidata. Afinal, a mulher e outros grupos que são discriminados pela sociedade são mais propícios ao julgamento da mesma, julgamento o qual nem sempre acontece por fatores reais, assim qualificando as famigeradas “Fake News”, tendo como uma das causas para a fácil propagação dessas narrativas, a já existente deterioração do jornalismo, que é cada vez mais reduzido a função de apenas notificar acontecimentos de forma instantânea. Em primeiro lugar, deve-se analisar a causa e o caráter dessas narrativas falsas, para Aristóteles o ser humano é por natureza um animal político, logo suas atitudes tem motivações políticas. Sendo assim, percebe-se que a propagação de notícias inexistentes, tem relação direta com as vigentes relações de poder, sendo que tais notícias podem ter como foco a deterioração de lutas identitárias, através da difamação da comunidade LGBTQI+, do movimento negro e até mesmo da mulher, que é o caso de Manuela d´Ávila. Nota-se também que a fácil e rápida propagação das Fake News, está atrelada a crescente ameaça ao jornalismo de qualidade. O filósofo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade líquida” afirma que a atual sociedade é repleta de ralações fluidas e que essa necessita de tudo em imediato. Esse imediatismo atinge fortemente o jornalismo, uma vez que esse é colocado como simples veículo de propagação de notícias rápidas, não se preocupando com a qualidade e veracidade dessa informação, dando espaço as populares notícias falsas. Portanto, diante disso, medidas precisam ser tomadas, para que a população brasileira possa confiar plenamente nas notícias propagadas. Nesse sentido, é cabível que o poder legislativo por meio da Câmara dos Deputados, através de um projeto de lei, torne crime a divulgação de informações falsas ou incompletas, assim, coibindo verdadeiramente a proliferação de informações falsas e enganosas.