Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
O escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade em um de seus mais clássicos poemas, afirma que “no meio do caminho tinha uma pedra”. Analisando a realidade brasileira percebe-se que, na verdade, são diversas as pedras que se tornam obstáculos sociais, como a propagação de mentiras e boatos na internet. Nesse sentido, é evidente que a problemática se deve a utilização das redes sociais como veículo de informação e a omissão do Estado diante o imbróglio.
Em primeira instância, a Revolução Técnico-Científico-Informacional proporcionou o desenvolvimento de aparelhos tecnológicos, como smartphones, notebooks e tablets. Nesse contexto, o acesso a internet foi facilitado e ,de modo consequente, a obtenção de informações por meio de sites de comunicação tornou-se prático e simples, favorecendo a circulação de notícias falsas. Desse modo, uma quantidade exuberante de materiais de caráter enganoso passaram a ser criados com propósito de prejudicar grandes empresas. Por conseguinte, a economia pode ser afetada, pois as companhias de ampla influência enfrentariam uma queda na venda de seus produtos, e elas movimentam grande parte do capital na sociedade brasileira, fornecendo emprego para milhares de pessoas.
Em segunda instância, é notório que a falta de diligência e cuidados por parte do Governo agrava o empecilho. Nesse cenário, sob o prisma do filósofo Aristóteles, os agentes políticos são responsáveis pela manutenção do equilíbrio social. Entretanto, analisa-se que são quase inexistentes, os projetos que visam a solução do entrave, proporcionando a livre disseminação de conteúdos com informações incorretas. Dessa maneira, o problema agrava-se gradativamente e é capaz, até mesmo, de servir como método para promover o partidarismo. Consequentemente, os resultados de uma eleição podem ser alterados devido a descontextualização ou manipulação de um fato real.
Logo, urge, que o Estado, por meio do Ministério da Justiça aumente a fiscalização na internet, mediante a criação de delegacias especializadas em crimes virtuais, visando a redução no número de noticias falsas, que circulam nas redes sociais. Outrossim, o governo federal, por intermédio do Ministério da Educação - responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação -, promova palestras, as quais ensinem os alunos, professores e funcionários a identificar fontes confiáveis de notícias, com intuito de conscientizar a atual e futuras gerações a não contribuir com a divulgação de mentiras na internet. Com isso, findar-se-ão diversos entraves sociais, pois o problema não é tropeçar, mas apegar-se as pedras (Paulo Poli).