Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 15/04/2020
As pernas curtas podem sim ser acorrentadas !
O ditado popular “mentira tem perna curta, mas corre que é uma beleza” nunca foi tão atual. Com a popularização da internet, principalmente a partir do presente século, a circulação de e acesso a notícias aumentou drasticamente, sendo que o conteúdo informativo de várias dessas é falso. As “fake news” e sua propagação são um enorme risco para a sociedade, pois acabam que por serem compartilhadas em maior número prejudicando, assim, a formação de opiniões verídicas e coesas à realidade acerca de diversos temas.
A princípio, cabe ressaltar que mentiras tendem a ser mais compartilhadas do que fatos. Segundo um estudo do Laboratório de Mídia do Instituto de Massachusetts (M.I.T.) as notícia falsas se disseminam seis vezes mais rápido do que as verdadeiras na plataforma do “Twitter”, sendo que as “fake news” são 70% mais propensas a serem “retweetadas”. O fato de boa parte das pessoas não checarem o que é relatado em outras fontes ou também o de se deixarem levar por manchetes sensacionalistas convergem à consequências idênticas aos resultados da pesquisa relatada: compartilhamento.
Como consequência desse, tem-se um grande prejuízo na construção individual de uma opinião concreta e verdadeira a respeito do tema abordado pela notícia. O ser humano, segundo o filósofo John Locke, nasce como uma “tábula rasa” (folha em branco) e assim ao longo da vida adquire conhecimento através de suas experiências. Ler notícias é uma forma de experiência intelectual, deste modo, a leitura de uma notícia falsa irá gravar na “tábula rasa” da mente uma mentira, que terá impactos negativos na vida do indivíduo em questão, pois esse, postumamente, irá expressar aquilo que está dentro de si: uma opinião errônea, além de análises irreais a respeito da sociedade.
Um dos maiores riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet é o da construção de opiniões falsas, sendo que esse é gerado pela grande intuição humana de compartilhar fatos “fakes”. Por tanto, cabe ao Ministério da Ciência e da Tecnologia em parceria com faculdades públicas desenvolver um breve curso online e gratuito de reconhecimento e análise de “fake news” que contará com testes de diferenciação entre notícias falsas e verdadeiras, o que auxiliará na diminuição da taxa de compartilhamento de mentiras. Assim, as pernas curtas serão acorrentadas de vez.