Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 14/04/2020

Em tempos em que a evolução tecnológica está em desenvolvimento como nunca antes visto, por mais espantoso que possa parecer, há também consequências negativas que podem ser facilmente evitadas mediante senso crítico suficiente que estabeleça um olhar mais criterioso das informações, de modo que anteceda o compartilhamento das informações encontradas online. Sendo assim, um retrocesso decorrente de um avanço. Me refiro da propagação de notícias falsas, por ser um meio irresponsável que somente se torna possível existir, em razão do mundo informatizado.

Portanto, observa-se que o problema está inserido nas atitudes dos próprios usuários da internet. Pois, ao compartilhar ‘fake news’ através das redes sociais, estará contribuindo com a alienação que a notícia pode causar, sobretudo se quem compartilha possuir muitas visualizações de suas postagens. Um fator que auxilia significativamente para grande difusão de conteúdos mentirosos a ausência de controle de responsabilidade editorial nas redes sociais. Com isso, as páginas de conteúdo, principalmente os não oficiais, bem como os próprios usuários em seu perfil pessoal, têm maior liberdade para construir as notícias que bem entenderem, ou distorcerem as já existentes. Essa prática reiterada compromete a confiabilidade de noticiários, tanto quanto influencia sujeitos de má índole a adquirir indevidas vantagens, inclusive financeiras.

Seguindo este raciocínio, vale ressaltar que vinte e três por cento da inverdades compartilhadas na internet ocorrem no Facebook. Este é usado mundialmente, de rápida circulação de informações, muitas vezes utilizado por pessoas menos criteriosas e pouco investigativas para contestar o que está lendo, até que precipitadamente faz por onde aumentar o alcance da notícia. Assim sendo, é importante destacar, que não necessariamente os indivíduos que envolvidos nessa dinâmica estão de má-fé. Mas que a própria ignorância favorece a preservação da mesma em maior escala, na medida em que continue existindo controle das massas mediante informações alteradas.

Esse contexto, faz lembrar da brilhante alegoria trazida por José Saramago em seu livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, ao dizer “penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem”. Já que, mesmo sendo possível, ainda é difícil para alguns enxergar o que há de verdade no que lhe foi dito. Desta forma, visando uma solução do abordado, cabe ao Poder Público, por meio do Congresso Nacional, editar lei que preveja penalidade em multa calculada segundo a renda do infrator, para aqueles que compartilharem notícias falsas na rede online. Para tanto, será necessário o empenho do serviço de inteligência do país para providenciar as devidas identificações dos que descumprirem. Implicando assim, num meio de conscientização repressiva.