Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 13/04/2020
Quando o departamento de defesa dos EUA criou durante a Guerra Fria um sistema conhecido hoje como internet, a sociedade jamais imaginaria as proporções que esse mecanismo alcançaria. No mundo atual, a tecnologia facilita a rotina e é capaz de informar os indivíduos acerca de tudo o que ocorre no planeta, a partir de um aparelho celular. Contudo, as ferramentas tecnológicas são também os principais meios de propagação de mentiras e boatos, o que trás riscos para o corpo social e para a democracia de um país nessa Era da Pós-verdade. A princípio, é importante ressaltar que a internet possibilitou que a informação chegasse de forma rápida às pessoas e isso é de suma importância, visto que na atualidade estar informado faz com que os cidadãos possam reconhecer os seus direitos e formar um senso crítico, por exemplo. Porém, o que ocorre é que pela quantidade exacerbada de notícias, é difícil para muitos saber filtrá-las e separar as verídicas dos conhecimentos falsos, e isso torna-se extremamente perigoso. Sob esse viés é possível perceber na sociedade as consequências desses compartilhamentos sem devida cautela, uma vez que o sarampo; doença que havia sido eliminada do território brasileiro; volta a causar surtos no país e óbitos, porque muitas pessoas não estão se vacinando devido a uma forte “fake news” de que essas imunizações eram perigosas e levavam à morte.
Nessa perspectiva, é visto também que a democracia vê-se abalada diante dessa Era da Pós-verdade, em que cada indivíduo possui uma tendência maior a acreditar na informação que lhe agrada a partir das suas crenças pessoais. Dessa forma, diversos estadistas usam do “Firehosing”; que consiste em um volume massivo de informações fraudulentas compartilhadas de forma contínua; como forma de propaganda política para manipular e manter o controle da população. Inclusive, no Brasil, o atual presidente utilizou do mecanismo durante as eleições, o que certamente lhe deu vantagem nessa disputa. É observado, dessa modo, que há carência de uma vigilância epistêmica e que uma população que não é estimulada a questionar não é capaz de identificar uma notícia falsa, partindo-se dos ensinamento de Sócrates sobre a importância da dialética e do questionamento na formação do ser.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, o Ministério da Educação deve, por meio de palestras educativas nas escolas para pais e alunos, informar sobre os perigos de não verificar as fontes nas informações e ensina-los a filtrar as notícias, com o intuito de torná-los mais críticos e de evitar novos empecilhos como os das vacinas. Além disso, a mídia deve pelas propagandas, em todo território, contestar as “fake news” para impedir que estadistas tomem o controle sobre a população de forma manipulativa. Assim, é possível que uma nova Era de autenticidade inicie.