Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/04/2020

“O importante não é viver, mas viver bem”. A frase do filósofo Platão deixa nítida a relação de cuidado que uma nação deve ter com o bem-estar social. Entretanto, a proliferação de notícias falsas e boatos, “fake news”, pela internet, gera consequências negativas para a sociedade, o que dificultam a realização desse ideal. Sendo assim, faz-se necessário discutir a origem do problema e o que impede a sua resolução.

É fundamental destacar, de inicio, que, em 1964 foi instaurada, no Brasil, a Ditadura Civil Militar, que, dentre outros direitos, proibiu a liberdade de expressão ao censurar tudo que fosse de encontro com os ideais do governo. Analogamente, hoje a realidade não é muito diferente. Mesmo que a atual constituição cidadã garanta a exposição de opiniões, a manipulação  social, através das noticias falsas, dificulta a realização desse direito na prática. Diante de tal fato é possível afirmar que essas mentiras são utilizadas para alterar focos de debates e manipular os internautas.

É fundamental destacar, ainda, que a falta de medidas do governo e o descaso da sociedade contribuem com a persistência do problema. Destaca-se que, apesar das mídias sociais apresentarem uma baixa credibilidade na divulgação de noticias - segundo pesquisas da Assessoria da Comunicação-, o Estado carece de medidas para modificar tal cenário, como exigir que empresas contratem mais fiscais, afim de verificar notícias de grandes impactos. Além disso, a sociedade, acomodada, prolifera o problema ao compartilhar notícias sem certifica-se da procedência.

Percebe-se, então, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Sendo assim, o Polícia Federal deve destinar uma maior parcela dos impostos para a criação de ouvidorias anônimas digitais, com o objetivo de incentivar a denúncia e apenar os disseminadores das “fake news”. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Justiça, deve inserir nos livros didáticos um plano de aula que discuta o tema a fim de formar cidadãos críticos. Assim, o viver bem, defendido por Platão, poderá ser alcançado.