Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 11/04/2020
Houve um tempo, na Idade Antiga, onde os cidadãos espartanos (e daí excluem-se grande parte da população de Esparta) podiam obter informações apenas através de uma assembleia consultiva, a Ápela. De lá para cá é fato que os meios de comunicação e as mídias sociais deram um grande salto tecnológico, conquanto, tal inovação trouxe um problema: a rápida disseminação de notícias falsas e boatos que, a longo prazo, instalam-se e assolam uma sociedade inteira.
A proliferação das mentiras e boatos, tomados como verdade, é um gargalo da contemporaneidade, tomando cunho político, científico, ambiental e social. Como tal, projeta-se no curto e no longo prazo. No curto prazo prazo ela leva a uma desinformação que eventualmente pode prejudicar uma eleição ou o controle de uma pandemia, por exemplo. No longo prazo observa-se uma radicalização dos indivíduos, ávidos pelo consumo de notícias e informações sensacionalistas que apoiem seu viés, tornando-os intolerantes as opiniões diferentes, como Caetano Veloso canta “Narciso acha feio o que não é espelho”.
Faz-se mister relembrar o episódio da publicação do artigo pseudocientífico na década de 90 nos Estados Unidos de que as vacinas causariam autismo e que, embora irrefutado inúmeras vezes, enraizou-se em mazelas na sociedade, com o reaparecimento, inclusive, de doenças em crianças que antes haviam sido erradicadas. É inegável o papel civilizatório que as mídias e as redes sociais trazem, pois elas universalizam as informações, podendo ser acessada pela maior parte da sociedade, contudo vale destacar que o seu mal uso, aliado a proliferação de mentiras e boatos, colocam em cheque as conquistas que a sociedade ganhou ao longo dos tempos.
Destarte, faz-se necessário a adoção de medidas para frear tal conjuntura alarmante. Uma das formas de fazer isto é através da realização de ações de conscientização por parte do MEC, aliado a empresas de educação, na elaboração de palestras e “workshops” nas escolas e universidades sobre o compartilhamento de boatos e “fake news”, trazendo a tona os efeitos sobre o mal uso da internet na sociedade. Tal medida, vale frisar, trará benefícios a longo prazo, sendo de vital importância a manutenção do programa ao longo dos anos. É possível também realizar tais palestras por parte das prefeituras dos municípios nos bairros e comunidades mais carentes, incluindo assim uma mazela excluída da sociedade que pode não ter contato com redes mais confiáveis de informação.Só assim será possível, com o tempo, eliminar-se os males trazidos pelo compartilhamento desenfreado de informações falsas.