Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 13/04/2020

No filme “O Abutre”, Lou, o protagonista, é uma espécie de promotor do sensacionalismo dos jornais. Sua missão é buscar cenas de crimes e acidentes para registrá-los, e posteriormente, serem utilizados em notícias de televisão. No entanto, no decorrer do filme, o protagonista passa a interferir em cenas de crime e a ele mesmo cometê-los, como objetivo de promover sua profissão e garantir lucro. Nesse contexto, são paralelos às criações de crimes por Lou para o seu jornal, as mentiras e os boatos compartilhadas na internet, que podem trazer riscos à democracia devido a manipulação da população.

Em primeiro lugar, a era tecnológica têm proporcionado novos meios digitais que auxiliam na difusão de informações. No entanto, muitas delas não condizem com a realidade e podem alterar os fatos, gerando polêmica e prejudicando pessoas. Por exemplo, nas eleições para presidente dos EUA de 2016, o atual líder político do país participou da manipulação de informações acerca de sua adversária, Hillary Clinton a fim de garantir a  maioria nas urnas. Portanto, boatos como estes, compartilhados no Facebook, Twitter e Instagram, modificam o cenário em que atuam e trazem riscos à sociedade que nele vivem.

Dessa forma, informações não verídicas criadas de forma tendenciosa, influenciam a sociedade conforme o objetivo do criador. Isso porque, aquilo que as pessoas viram e ouviram nas redes é tomado como verdade pelo indivíduo, e este, toma frente diante disso. Assim, a manipulação leva as pessoas a tomarem decisões diferentes daquelas que tomariam se não fossem os boatos. Diante disso, princípios da democracia que valorizam a autonomia e a liberdade de escolha do indivíduo, são feridos quando este não é ator completo de suas decisões e quando estas são limitadas às mentiras difundidas pela internet.

Finalmente, os perigos que notícias enganosas disseminadas pelas redes trazem à sociedade devem ser contidos. Para isso, o Estado em parceria com a mídia, deve promover palestras e campanhas que conscientizem  a população da inconfiabilidade  das redes como fonte de informaçõe e que indiquem formas de verificar a veracidade de uma notícia: ser cético em relação àquilo que é exposto e verificar sua autenticidade, por exemplo. Só assim teremos uma sociedade que prioriza a liberdade do homem e os princípios democráticos em detrimento do lucro ou do benefício próprio, como fazia Lou em “O abutre”. Dessa forma, a possibilidade de notícias falsas ganharem repercussão nacional será mínima, juntamente com os riscos trazidos por elas.