Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 12/04/2020
Com a ascensão das mídias sociais o fluxo de informações tomou proporções gigantescas. Isso porque através desse meio – redes sociais, sites de compartilhamento, blogs etc. – é possibilitada a criação de conteúdo de maneira cooperativa com a participação de milhares de usuários e seu compartilhamento é praticamente instantâneo. Ademais, apesar de o acesso a grande gama de informações e opiniões diversas ser algo positivo, também ocorre na mesma intensidade a circulação de mentiras ou fatos manipulados. Nesse sentido, cabe aos usuários utilizarem esse meio de comunicação de forma consciente e não compartilhar boatos, pois do contrário, pode haver efeitos negativos.
As fake news (notícias falsas) são um tipo de imprensa que dissemina desinformação ou boatos. Elas ocorrem principalmente nas redes sociais digitais (Facebook, Instagram, Whatsapp), por essas terem maior liberdade na criação de conteúdo e pela enorme quantidade de indivíduos conectados as utilizando. Graças a isso, muitos acreditam ser verdade e difundem esse tipo de notícia sem verificar. A exemplo disso, uma mulher morreu no Guarujá em 2014. Sendo acusada por uma postagem no Facebook – que foi várias vezes compartilhada – de sequestrar crianças para rituais de feitiçaria, a mulher foi espancada por várias pessoas e morreu dias depois da agressão. A polícia desmentiu a história e disse que não houve qualquer sequestro de crianças na cidade.
Dentro desse universo, outro ponto a ser abordado é o da “pós-verdade”. De acordo com o dicionário da Universidade de Oxford, tal conceito refere-se que o apelo a crenças pessoais é mais importante do que a veracidade dos fatos. Isso ocorreu, por exemplo, nas eleições para presidente nos EUA. Com o objetivo de denegrir a imagem da concorrente, Hillary Clinton, os eleitores de Trump espalharam nas redes sociais o boato de que ela era líder de uma rede de tráfico infantil (apelo para raiva e desgosto). Logo, difundir mentiras atreladas a questões emocionais prejudica a imagem dos que foram escolhidos para ser o foco dessas histórias e dificilmente têm seus estragos reparados.
Em vista dos argumentos apresentados, percebem-se as graves consequências de se espalhar boatos na internet. Para que tal situação mude, os usuários das mídias sociais têm papel fundamental. Esses devem verificar, a cada postagem que pretendem compartilhar, o autor da notícia, se veio de sites de confiança, ler a notícia completa, checar mais de uma fonte e, caso seja constatado uma fake news, denuncia-la e alertar aos outros usuários. O governo, por sua vez, deve realizar palestras sobre os problemas que podem gerar esse tipo de notícia e como evita-lo, conscientizando ao máximo toda a sociedade. Só assim o ambiente online ficará melhor a todos.