Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
No universo de “Harry Potter”, a personagem Rita Skeeter é uma repórter do jornal “Profeta Diário” que publica notícias sensacionalistas e, em sua maioria, falsas, prejudicando e manchando a imagem de outras personalidades da saga. Fora das telas, é possível afirmar que a disseminação de mentiras e boatos é cada vez mais comum e a internet é o local onde várias dessas “fake news” são propagadas, afetando empresas e indivíduos. Nota-se que a falta de responsabilidade em apurar a veracidade do conteúdo e o sentimento de impunidade dos usuários são fatores que potencializam esse problema.
Em primeiro plano, constata-se que a negligência em averiguar a autenticidade do material publicado reforça a propagação de inverdades na web. Segundo Zygmunt Bauman, tudo o que fazemos (ou deixamos de fazer) tem impacto na vida de todo mundo. Partindo desse princípio, pode-se afirmar que a reflexão sobre os efeitos de uma atitude é essencial para a diminuição de entraves dessa natureza. Percebe-se que os usuários da rede compartilham publicações sem checar as fontes, acometendo terceiros - que podem ser empresas, figuras públicas ou cidadãos comuns - e provocando tragédias como falências, eclosão ou agravamento de transtornos mentais e até mortes. Assim sendo, é imprescindível a conscientização e cautela da população para resolver o impasse.
Outrossim, a falta de punições adequadas a quem difunde mentiras e boatos na internet destaca-se como empecilho para solucionar a questão. Consoante Durkheim, uma sociedade sem regras claras, sem valores e sem limites encontra-se em estado de anomia social. Nesse sentido, é inegável que a impunidade intensifica o problema. Apesar da criação do Marco Civil da Internet, observa-se que a ideia de anonimato ao acessar a web assegura os usufruidores a fazerem publicações sem considerar seus impactos; na maioria das vezes, os responsáveis por difamar e/ou caluniar outrem saem ilesos, o que lhes encoraja a seguir com a prática. Vê-se a exposição de imagens íntimas e conversas particulares ou compartilhamento de informações ilegítimas que depreciam candidatos a um cargo público, por exemplo. Dessa forma, é necessário adotar medidas para conter a situação.
Destarte, urge a atenuação da propagação de mentiras e boatos na internet, tendo em vista os riscos que essa suscita. A fim de refrear esta ocorrência, o Governo Federal, por meio de parcerias com os provedores de internet e com o MEC, deve instituir, nas propagandas e nas escolas, campanhas de conscientização, como palestras e dinâmicas que evidenciem os efeitos de uma postagem. Ademais, o Poder Judiciário, aliado às polícias militar e civil, deve punir devidamente os autores e difusores de notícias inautênticas.