Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 16/04/2020

Não é de hoje que as mídias são utilizadas para influenciar as pessoas. Uma das frases mais famosas dessa temática, “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, foi justamente de Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda da Alemanha nazista de Hitler. Ao invés de haver uma melhora desse cenário com o tempo, ele se tornou ainda pior com o advento da internet e, em particular, das redes sociais. O despreparo da sociedade no tangente a essas duas ferramentas permite que informações sejam facilmente passadas adiante sem a devida confirmação de sua veracidade, o que gera graves problemas para o corpo social.

Primeiramente, vale a ponderação: por que uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) teria chegado à conclusão de que uma notícia falsa tem 70% mais chances de ser compartilhada do que uma notícia verdadeira? A resposta passa pelo fato de que a velocidade com que os celulares e a internet entraram na vida das pessoas foi muito maior do que a velocidade com que a educação evoluiu no sentido de orientá-las para sua utilização. Essa diferença faz com que esses recursos, que possuem um enorme potencial de beneficiar a humanidade, acabem prejudicando-a em vários aspectos, como através da criação intencional de massas de manobra

Pode-se mencionar como exemplo a batalha eleitoral brasileira de 2018, que apesar de ter tido de fato grande participação da mídia, para uma grande parte das pessoas ocorreu quase que exclusivamente nos telefones. Essa situação se torna ainda mais delicada quando se pondera que, segundo pesquisa do Instituto Reuters, o Brasil é um dos países que mais consome notícias via “Whats App” no mundo. A combinação descrita abre portas para a relativização da verdade, a manipulação da democracia e a alteração do curso da história, além de potencializar a disseminação do preconceito, da violência, e de outros males dos quais o mundo ficaria melhor sem.

Em vista do exposto, urge que o Ministério da Educação adicione nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina “Educação Digital” na grade curricular obrigatória, com carga horária de ao menos 4 horas mensais, de modo a preparar os educandos para a vida digital e ensiná-los as consequências de suas atitudes nessa. Ademais, o Governo deve fiscalizar e impor sanções aos sites que criem ou compartilhem notícias falsas, através de Secretarias planejadas e preparadas para atuar no meio virtual, com o fito de coibir a criação e disseminação dessas. Desse modo, caminhar-se-á cada vez mais para um cenário que não permita a criação de verdades simplesmente pela repetição de mentiras.