Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
Com o advento da internet e da globalização, houve a popularização, no Brasil e no mundo, do uso das redes sociais, não só para interações interpessoais, mas também como fonte de informações e notícias. Entretanto, essas mídias não são veículos jornalísticos profissionais, de modo que boa parte das informações disseminadas através desses meios é falsa ou está incompleta, o que, por sua vez, pode provocar pânico e ações precipitadas.
A exemplo do pânico que informes falsos com “roupagem” oficial podem causar, é possível citar a transmissão da obra de ficção “A guerra dos mundos” pelo rádio nos EUA, na década de 1930, que causou grande histeria em algumas regiões do país, pois, parte da população, ao ouvir a ficção narrada fora de contexto, pensou que a invasão alienígena, ali retratada, fosse verídica. Outro exemplo acerca dessa questão é o boato sobre falta de produtos como álcool em gel e alimentos, espalhado no início da atual pandemia de Covid-19, que levou a população a estocar, generalizadamente, essas mercadorias, desencadeando um desabastecimento real desses itens.
Outrossim, o compartilhamento das chamadas “fake news” pode contribuir com a viralização destas em rede, o que pode influenciar o posicionamento da população acerca de assuntos de suma importância, levando aquela a agir precipitadamente, haja vista o ocorrido nas eleições presidenciais estadunidenses, em 2016 e brasileiras, em 2018, nas quais a disseminação ampla e irrestrita de falsas notícias, associada à insatisfação e desejo de mudança da população, fez com que muitos cidadãos fossem às urnas sem ponderar, devidamente, as propostas de governo dos candidatos.
Desse modo, em especial no caso brasileiro, é de fundamental importância que haja a conscientização da população no que concerne ao uso responsável da internet, bem como da importância de verificar a procedência e veracidade das informações antes de compartilhá-las, o que pode ser feito através de uma parceria público-privada entre o governo federal e os meios profissionais de comunicação, como emissoras de rádio, televisão, jornais impressos e etc. Além disso, a criação e aplicação de leis punitivas, como multas, a pessoas que, deliberadamente, venham a produzir e disseminar conteúdos falsos em rede, também seriam de grande valia no combate aos boatos e mentiras na internet.