Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 14/04/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o compartilhamento de mentiras e boatos na internet, verifica-se que este ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, pois a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse sentido, convém analisar os principais impactos dessa questão tanto na esfera social quanto na educacional.
Em primeiro lugar, cabe citar a influência da sociedade sobre os indivíduos como impulsionadora do problema. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se o fato de que a maioria da população brasileira não costuma verificar as fontes das notícias lidas. Logo, os indivíduos tendem a assumir comportamentos parecidos com o ambiente que os cerca, o que não somente mantém este quadro deletério, como o intensifica, influenciando outros indivíduos a adotarem o mesmo pensamento hegemônico do senso comum, caracterizado pela famosa frase: “se está na internet, deve ser verdade”.
Outrossim, é indubitável que o espetacular avanço das telecomunicações, ocorrido principalmente a partir da segunda metade do século XX, trouxe inúmeros benefícios. Entretanto, tal avanço possibilitou a criação de inúmeras notícias falsas que são disseminadas para todos os lugares do planeta em um curto intervalo de tempo. Disso surge um problema gravíssimo, pois muitos estudantes baseiam suas pesquisas em artigos tendenciosos ou cuja fonte é duvidosa. Logo, ao formar-se estudantes com esse tipo de conduta, propicia-se a criação de uma mentalidade baseada no imediatismo em detrimento da verificação das fontes, fato que deve ser combatido de imediato.
Torna-se evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por jornalistas que discutam sobre a temática das notícias, abordando diversos assuntos, tais como as etapas de criação de uma notícia, os impactos que ela pode causar na sociedade e táticas para verificar a verossimilhança de alguma informação. Além disso, é papel da mídia a elaboração e divulgação de documentários explicativos e de fácil compreensão que discutam sobre os efeitos do compartilhamento de boatos infundados na internet. Tudo isso deve ser realizado tendo-se sempre em vista a célebre frase de Immanuel Kant: “o homem não é nada além do que a educação faz dele”, a fim de que a sociedade se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na Alegoria da Caverna de Platão.