Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 18/04/2020

Na alegoria do Mito da Caverna, do filósofo Platão, é retratada a condição de ignorância em que os indivíduos vivem. De forma análoga, é possível considerar as notícias falsas como a caverna da modernidade, a qual o homem ainda se encontra preso e alienado, longe do que seria de fato a verdade. Assim, é licito o cuidado a ser tomado com o compartilhamento das “fake news”, que são propagadas em ritmos alucinantes e deixam os usuários vulneráveis à manipulações. Logo, criar mecanismos que garantam a confiabilidade das notícias é necessário e não uma opção.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que problema advém, principalmente, da velocidade com que as informações são repassadas. Diante disso, segundo dados do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) revelou que as mentiras e boatos, principalmente nas redes sociais, se espalham seis vezes mais rápido do que notícias verdadeiras. Sendo assim, a capacidade de compartilhar informações rapidamente, permite que mentiras possam ser transmitidas indefinidamente, sem qualquer preocupação com a veracidade dessas. Nesse sentido, é visto que a credibilidade das informações são ameaçada pelas “fake news”.

Outrosim, é imperativo destacar o efeito que a falta de informação possui na manipulação das pessoas. Desse modo, no livro Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que mostra de forma metafórica, a alienação dos indivíduos frente ao que é divulgado pela mídia, é perceptível, hodiernamente, que devido ao baixo senso crítico atrelado ao comodismo proporcionado pela  “Era Digital,  limitou o modo de pensar dos cidadãos, que somado a isso alguns consumidores desse conteúdo acreditam cegamente nessas notícias e por sua vez compartilham tais informações reforçando o ciclo vicioso. Por conseguinte,  os usuários são feitos de marionetes por um sistema que molda a sua maneira de agir e pensar.

Infere-se, portanto, que  o compartilhamento de notícias falsas na internet possui intima relação com o meio e sua respectivas influências que necessitam serem revertidas. Logo, é mister que o Ministério Público promova ações de combate às “fake news”, bem como sua proliferação, por meio de  medidas severas  de fiscalização e punição, a exemplo da divulgação de sites inconfiáveis, buscando restrições por parte da plataforma de propagação,com a finalidade de proteger o público-alvo e tornar a internet um ótimo meio para obtenção de conhecimento. Ademais, cabe também ao individuo ser atencioso consigo mesmo, procurando estar sempre menos vulnerável. Somente assim, será possível romper as correntes que prende o homem moderno a caverna de desinformação em que se encontra.