Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/04/2020

O desenvolvimento da escrita potencializou a estruturação das nações antigas através da transcendência do conhecimento. Analogamente, pode-se correlacionar o progresso da sociedade contemporânea ao estabelecimento das Tecnologias da Informação e Comunicação, responsáveis pela integração entre seus diversos setores. Porém, a veiculação de informações mendaciosas inviabilizam o estabelecimento pleno da capacidade de reflexão. Assim, convém analisarmos as principais causas de tal mazela e, propor medidas para que ela não se perpetue.

Segundo o filósofo grego Sócrates, ao negligenciar seu próprio conhecimento com a frase: ‘‘só sei que nada sei’’. Pode-se contrastar tal ideologia com as bases da ignorância de muitos usuários da internet que compartilham conteúdos sem se preocupar com sua veracidade, visando apenas a popularidade do assunto. Nesse contexto, a racionalização do pensamento intelectual torna-se decadente pela ausência do exercício da reflexão.

Concomitantemente, as eleições brasileiras de 2018 representaram a máxima expressividade da manipulação do comportamento dos indivíduos pela divulgação das famosas ‘‘fake news’’; às quais propiciaram a vitória de um candidato de extrema-direita, em detrimento de seu oponente populista. Em consonância com a pensadora Marilena Chauí, o fato supracitado representa a supressão do estado de bem-estar-social e a ascensão do neoliberalismo. Tendo como efeito o delineamento das disparidades sociais.

Em virtude dos fatos supracitados, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) intensifique a carga horária dos cursos de filosofia e sociologia no âmbito de capacitar as futuras gerações para que assim possam discernir sobre a fundamentação das informações veiculadas. Feito isso, a sociedade tornar-se-a uma unidade integrada na qual a racionalização das ideias fluirá progressivamente. Tendo por princípio a ‘‘maiêutica socrática’’.