Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/04/2020

Em 2017, o Collins Dictionary elegeu “fake news” como a expressão do ano. Visto que houve um  aumento exacerbado da proliferação de notícias falsas nas redes de sociais e em sites pouco confiáveis. Entretanto tal prática de compartilhamento pode acarretar inúmeras consequências à integridade de indivíduos e empreendimentos. Isso ocorre ora devido ao engajamento de pessoas à falsos conceitos, ora em decorrência de sabotagens às empresas vítimas de acusações mentirosas.

A priori, é imperativo relacionar o engajamento pessoal com o surto de febre amarela ocorrido em 2018 no Brasil. Devido às falsas notícias compartilhadas afirmando que a vacina para tal doença causava autismo, grande parte da população se recusou à toma-la, acarretando no maior número de contágios desde 1980. Sob esse viés, a falta de busca por informação confiável e a credibilidade dada  pelos internautas às informações sensacionalistas têm causado prejuízos irreparáveis, sendo a impunidade e a falta de fiscalização os motores de tal consequência.

A posteriori, é imperioso concatenar o prejuízo de instituições com os dados da Aberje. Segundo a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, 85% das empresas se preocupam com Fake News, e lutam para manter a reputação. Nessa perspectiva, vídeos relacionados à mal tratos de animais e exploração ambiental ilegal são frequentemente atrelados às empresas multinacionais, afetando a imagem e sua credibilidade injustamente, havendo como prejuízo a recusa da compra de seus produtos e o compartilhamento de tais informações sem embasamento por parte das pessoas.           Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para mitigar o trânsito de falsas informações. Logo, cabe ao Tribunal de Contas da União (TCU) direcionar capital, que por intermédio do Ministério Público, seja revertido na criação e implementação de publicações que alertem sobre os perigos dos compartilhamentos, formas de como identificar a credibilidade das informações e um portal de denúncia. Isso deve ser feito por meio da criação de um site governamental, em que possa ser feita a delação de perfis suspeitos de exporem notícias tendenciosas, para facilitar o rastreamento e a concomitante punição. Em suma, cabe ao Poder Legislativo a criação e a posterior promulgação de uma lei que puna as plataformas que permitem a exposição de fake news. Com isso elas ampliaram a  fiscalização, excluirão postagens e boquearão perfis responsáveis. Com a finalidade de reduzir tal compartilhamento e transformar o que para muitos é uma simples brincadeira em crime, reduzindo a consequência sofrida por pessoas e empresas vítimas de tal atividade. Dessa forma, a expressão “True News” terá a possibilidade de se tornar a palavra do ano no Collins Dictionary.