Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/04/2020

Sócrates, filósofo da Grécia Antiga, elaborou um método de busca pelo conhecimento: por meio de questionamentos, fazia as pessoas perceberem que não possuíam, de fato, o entendimento sobre um assunto. Isso fazia com que procurassem a verdade de modo aprofundado. Tal processo, embora antigo, torna-se a base para a não difusão de notícias falsas. Entretanto, ao analisar o cenário atual, principalmente, no Brasil, nota-se que isso não acontece, uma vez que muitas pessoas, mesmo sem saber e sem pesquisar a respeito, divulgam boatos e materiais falsos na internet. Cabe, então, analisar os efeitos desse quadro, em busca de minimizá-lo.

A princípio, é necessário entender que as “fake news” podem ser utilizadas para legitimar um ponto de vista. Esse é o caso do grupo antivacinação, que surgiu na década de 1990, o qual espalhou que estudos confirmaram que o alumínio presente nas vacinas causava autismo nas pessoas. Dessa maneira, várias pessoas, leigas sobre o assunto, passam a acreditar nesse discurso sem confirmar sua veracidade. Assim, o movimento ganha mais visibilidade e cada vez mais adeptos a causa, o que torna mais difícil promover sua dissolução.

Além disso, observa-se que as notícias falsas são excelentes ferramentas de manipulação de dados e fatos. Isso pode ser exemplificado pelas eleições norte-americanas de 2016, em que vários eleitores de um dos candidatos a presidência começaram a divulgar boatos sobre outro candidato, de forma que esse fosse prejudicado. Para os teóricos da Escola de Frankfurt, essa jogada política faz parte da sociedade do espetáculo, em que as pessoas detêm o poder por meio de imagens criadas no contexto das mídias sociais e da internet, sejam elas verdadeiras ou não. Com isso, várias figuras, geralmente, públicas, podem ser lesadas.

Fica nítido, portanto, que compartilhar mentiras e boatos na internet traz riscos enormes à população, o que exige medidas urgentes. Assim, as universidades devem divulgar as pesquisas científicas, mediante uma parceria com as mídias e veículos digitais de informação, visto que aceleram a disseminação, tanto em grandes centros urbanos, quanto em cidades do interior, para que possa aumentar o conhecimento verdadeiro da população e reduzir a publicação de boatos. Concomitantemente a isso, cabe aos políticos averiguarem as informações compartilhadas em processos eleitorais, por intermédio, novamente, das mídias, com o objetivo de promover uma eleição justa e sem “fake news”. Só assim será possível perpetuar o Método Socrático no mundo atual.