Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 16/04/2020
Em sua canção “Pela Internet”, o cantor brasileiro Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponibilizadas pelas plataformas digitais para os seus usuários. No entanto, o que era para ser algo bom tornou-se um problema, pois existe, na contemporaneidade, um grande número de notícias falsas que são publicadas e compartilhadas diariamente, afetando fatores importantes para a sociedade, como decisões eleitorais e as relações sociais. Desse modo, o compartilhamento de inveracidades na rede é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.
Em primeiro lugar, é valido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Tal problemática ocorre porque, quando conteúdos inverídicos são compartilhados, tem-se uma potencialização da realidade e as pessoas passam a acreditarem - inquestionavelmente - em algo que não existe, além de criarem opiniões e expectativas sobre o que viram, como afirma o pesquisador em ciência da informação, Pierre Lévy. A eleição eleitoral brasileira de 2018, como exemplo, foi marcada por inúmeras “fake news”, que faziam com que o eleitorado decidisse seu voto em cima de várias mentiras, prejudicando a legitimação do resultado. Depreende-se, pois, que a sociedade fique atenta e procure sempre saber a verdade, antes de repassar algo em rede.
Em segundo lugar, vale ressaltar que nos últimos anos houve um crescimento no número de pessoas que usam as redes sociais e a internet para noticiarem algo, segundo dados do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (PROJOR). Isso acarreta uma série de problemas sociais, quando é levado em consideração que existem muitos “vilões da rede”, que são capazes de criarem notícias falsas para prejudicar alguém. Conforme noticiado pelo G1 (Portal de noticias da rede globo), como exemplo, ocorreu em 2014, em Guarujá (SP), uma mulher que foi morta pela população local, após a ex amiga espalhar um boato em rede de que ela fazia ritual que executava crianças. Por fim, seria negligente não notar que punições severas devem ser tomadas contra quem inventa notícias falsas.
Portanto, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), deve criar um site de fácil acesso para a população, por meio de algoritmos específicos, que identifiquem se uma notícia possui algum embasamento verídico sobre todos os políticos brasileiros, auxiliando a população no período de eleições, para que assim, as pessoas não votem baseando-se em mentiras, além de fornecer um espaço de denúncia contra as ‘‘fake news’’ e o Ministério da Educação e Cultura (MEC), deve introduzir uma grade extracurricular virtual para alunos de escolas públicas e privadas, com minicursos de “inteligência virtual”, incentivando, desde a juventude, que as pessoas saibam identificar as mentiras da rede, contribuindo para que a música de Gilberto Gil tenha um bom sentido novamente.