Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/04/2020

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita que “No meio do caminho tinha uma pedra”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento de um bem estar social. Nesse sentido, a poesia modernista pode ser aplicada à atual sociedade, haja vista que o compartilhamento de boatos e mentiras na internet configura-se como um obstáculo no caminho do cidadão. Diante disso, evidencia-se que a influência digital, bem como a negligência governamental estão entre os principais fatores que impedem uma navegação segura.

Nessa circunstância, vale destacar que o “pai da sociologia”, Émile Durkheim, durante seus estudos, criou a definição de “consciência coletiva”. À vista de tal preceito, o homem torna-se um produto do meio em que vive. Paralelo a esse raciocínio, cabe mencionar a força influenciadora, gerada pelo convívio constante com os meios tecnológicos, que age diretamente sobre a vida das pessoas, influenciando em suas atitudes cotidianas. Nessa lógica, é verossímil que esses internautas apresentam-se como um “produto do meio”, uma vez que o pensamento coletivo digital limita e determina a mentalidade individual do usuário. Dessa forma, o cidadão fica vulnerável a praticar atitudes errôneas motivado por informações incrédulas advindas da rede.

Cabe, ainda, pontuar que sob a ótica da questão, o filósofo polonês Zygmund Bauman, na obra “Sujeito Líquido”, apresenta o conceito de “instituição zumbi”, o qual sugere que algumas entidades, no contexto vigente, agem de modo análogo a mortos-vivos. Desse modo, elas mantêm suas formas, mas sem exercerem suas respectivas funções sociais. Associado a essa concepção, convém observar a ineficiência do governo, posto que a falha na administração resulta na carência de órgãos especializados em desmascarar as “fake news”. Nessa perspectiva, é aparente que o Estado revela-se como uma “instituição zumbi”, visto que, apesar de sua existência, não cumpre seu principal dever: garantir o acesso a informação de qualidade para todo cidadão.

Torna-se axiomático, portanto, adotar medidas para reverter tal cenário. Logo, cabe as prefeituras locais a tarefa de promover campanhas de reeducação digital, por meio da mídia televisiva, com o fito de criar na população cibernética o hábito de conferir as fontes das informações apresentadas para evitar a disseminação compulsória de mentiras. Ademais, compete também ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) a criação de plantões digitais, mediante uma parceria com a iniciativa privada, com o fito de conferir a veracidade das informações circulantes no meio digital. Dessa maneira, com a união dessas ações, será possível remover a “pedra” no caminho do brasileiro.