Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 17/04/2020

O filósofo Francês John Locke, a partir da metáfora de “Tábula rasa”, define que o indivíduo tem sua personalidade construída a partir do conhecimento externo que recebe. A partir dessa análise, tem-se, nas mídias sociais, um poderoso agente influenciador e provedor de conhecimento. Contudo, com a difusão tecnológica e o amplo acesso a informação, identificar noticias falsas- “fake news”- torne-se uma tarefa difícil e possibilitou tanto a manipulação das massas, quanto o surgimento de movimentos baseados em teorias conspiratórias.

Diante disso, em primeiro plano, é valido analisar que a sobrecarga de informações recebidas diariamente por um cidadão comum compromete o seu senso crítico e permite que notificações infundadas passem por despercebido. Nessa lógica, o artigo “Meia Palavra”, publicado pelo canal de noticias GNT, trata dos efeitos que dinamicidade da sociedade atual causa em seres cada vez mais dependentes de redes virtuais, os quais se deixam manipular por correntes que eles não têm tempo para analisar a veracidade. Com isso, o indivíduo moderno tem cada vez menos autonomia sobre si e sobre o que preenche a sua tábula.

Dessa forma, com o consumo constante e pertinente de matérias falsas, o espectro sobre o real torna-se cada vez mais difuso e teorias conspiratórias passam a ter sentido, o que permite a participação de um numero cada vez maior de pessoas em movimentações contra causas importantes para o desenvolvimento humano. A exemplo disso, o “Movimento anti-vacina” que surgiu a partir dos anos 2000 devido a vinculação de um artigo falso que relacionava o vacinação com o desenvolvimento de autismo. Assim, o compartilhamento de noticias falsas tem efeitos desastrosos sobre o coletivo uma vez que pode interferir em questões vitais como a saúde de crianças e adultos.

Dado o exposto, é mister auxiliar a sociedade no processo de reconhecimento de noticias falsas. Cabe, portanto, ao Ministério da Cidadania, a partir de uma ação coletiva com as Redes Sociais, criar um aplicativo, a partir de mecanismo da inteligencia artificial, capaz de identificar possíveis fake news e sinalizar ao leitor, a fim de que nenhuma matéria desarticulada com a verdade passe despercebida ou seja capaz de influenciar-lo negativamente. Além disso, faz-se importante que as Mídias Televisíveis, por meio de propagandas em horário nobre, desmintam as principais notícias falsas que circularam na semana, com o objetivo de impedir a manipulação de seus telespectadores e levar a informação a um numero cada vez maior de pessoas.