Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 25/08/2020
Há séculos, o filósofo racionalista Descartes agregou, na célebre frase “Cogito, ergo sum”, a existência humana à sua capacidade de pensar. Contudo, essa ideia está sendo desfalcada à medida que, na internet, pessoas compartilham informações sem antes refletir sobre elas. Desse modo, espalhando, também, de forma exponencial, conteúdos falsos, os quais podem alienar e manipular os pensamentos dos usuários. Sendo assim, é necessário entender mais sobre os riscos de espalhar Fake News.
Em primeiro lugar, as notícias falsas não são um fenômeno recente, mas sim, um antigo método de manipulação. Por exemplo, durante a Contrarreforma, boatos foram responsáveis pela queima e morte por enforcamento de centenas de mulheres inocentes, as quais eram acusadas de praticar bruxaria. Consoante a isso, o caso de Fabiane Maria de Jesus, uma mulher inocente morta, após ser espancada e linchada, devido ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças, cujo retrato falado e crime circulavam pelas redes sociais e eram de uma Fake News. Nesse sentido, é importante perceber a força que uma notícia falsa pode adquirir, e como, quando compartilhada sem prévia análise, contribui para uma alienação em massa e a geração de novas vítimas.
Ademais, faz-se mister atribuir a redes sociais como o Twitter, Facebook e Whatsapp grande parte da responsabilidade pela rápida e dispersada divulgação dessas noticiais. Assim como observado no documentário “Privacidade Hackeada”, o poder que empresas de dados, como a Cambridge Analytica, tem de influenciar eleições apenas por manipular os algoritmos e divulgar Fake News para usuários nas redes sociais, mostrando como essas, na era digital, exercem papel formador fundamental da índole de muitos indivíduos. Por conseguinte, é indubitável afirmar que, devido ao seu potencial de divulgação, as redes sociais tornam-se grandes aliadas de pessoas interessadas em espalhar notícias falsas e influenciar o maior número de pessoas.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, fica claro o carácter aceitador, e não questionador, que a sociedade reproduz, e como após o advento da internet está se tornando ainda mais perigoso. Dessa maneira, o Ministério da Educação, aliado as Câmeras Municipais, deve ensinar sobre os perigos causados pelo uso incorreto das redes sociais e mostrar métodos de melhor identificação de Fake News, a partir da promoção de palestras gratuitas em escolas do ensino fundamental e médio, para responsáveis e alunos, de todo o Brasil, a fim de criar uma geração menos passiva aos conteúdos que recebem. Por fim, esse ciclo de desinformação será cortado e mais pessoas irão refletir e, assim, voltar a existir.