Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/11/2020

O filme polonês " Rede de Ódio", lançado em 2020, projeta o telespectador em um cenário de violência política e banalização do sofrimento individual - Tomek é um jovem que fora expulso da Universidade de Direito, após plagiar uma redação; o personagem instiga, anonimamente, campanhas de ódio nas redes sociais. Fora da ficção, os riscos de se compartilhar mentiras e boatos na internet é uma problemática vigente na sociedade contemporânea, em suma, em razão da falta de criticidade dos usuários que utilizam as mídias sociais, como também da fragilidade política em vigiar crimes cibernéticos.

A princípio, segundo a filósofa alemã e judaica Hannah Aredent, a banalidade do mal advém da falta de criticidade do indivíduo. Nesse sentido, a tese da filósofa pode ser vislumbrada na realidade, pois o compartilhamento desenfreado de notícias nas redes sociais por pessoas comum têm, de certa forma, banalizado o mal- o risco de informações falsas serem compradas como verdadeiras é um fato, cada vez mais comum. No ano de 2018, a deputada federal Manuela d’Ávila foi alvo de “fake news”, durante sua campanha eleitoral - na época, o TSE ( Tribunal Superior Eleitoral) determinou que o Facebook retirasse 33 links ofensivos sobre Manuela. Ainda assim, a deputada sofreu inúmeras ameaças de morte, além de ter à imagem exposta e banalizada em rede.

Outrossim, segundo o sociólogo Michel Foucault, as estruturas do poder extrapolam o Estado e permeiam, ainda que de forma difusa e pouco evidente, as diversas práticas sociais cotidianas. Nesse viés, a teoria do filósofo demonstra que a microfísica do poder procura ambientes para ser exercido - assim, a fragilidade política em vigiar esses ambientes, mais especificamente, o virtual permite que crimes cibernéticos sejam cometidos. Na obra cinematográfica citada, Tomek utiliza de informações falsas para violar o sistema político vigente - ainda assim, o polonês não é preso e nem punido pelas autoridades, pois não foi comprovado seu envolvimento em tais crimes. Consequentemente, a ação do personagem foi legalizada, porque o Estado legitimou, sua conduta em rede, de maneira indireta ao permitir que sua estrutura de poder fosse violada.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, e com a finalidade de propor uma solução para a problemática vigente, medidas são necessárias. Assim, o Poder Judiciário, em ação conjunta com ONGs, devem combater, sistematicamente, a disseminação de boatos e mentiras na redes. Para isso, seria necessário a destinação de verbas na realização de campanhas - a criação de fóruns on-line e vídeos educativos seriam ferramentas para disseminar informações verdadeiras, ao permitir que os usuários não caiam em equívocos e compartilhem boatos falsos que instiguem o ódio na internet.