Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 15/05/2021

Durante a década de 30, houve a publicação do “Plano Cohen”, um falso documento militar que afirmava a existência de uma conspiração comunista. Dessa forma, Getúlio Vargas aproveitou o acontecimento para executar um golpe de estado e instaurar a ditadura do Estado Novo. Analogamente, o episódio, embora ocorrido em 1937, se aplica à contemporaneidade, posto que o compartilhamento de mentiras e boatos está presente na sociedade, sobretudo na internet. Assim, seja pela urgência de extirpar os riscos da divulgação de informações inverídicas, seja pela necessidade de promover a educação digital para todos, esse problema requer intervenção imediata.

De início, cabe ressaltar que a internet surgiu como um protótipo denominado “Arpanet”, durante o contexto da Guerra Fria, com o intuito de facilitar a veiculação de informações. A partir disso e com os constantes avanços da tecnologia, a internet se revoluciona cada vez mais, abrangendo uma infinidade de meios e pessoas. Desse modo, se torna um ambiente propício para o compartilhamento massivo e veloz de dados, conhecimentos e situações, muitas vezes, desprovidos de veracidade. Essa situação é reflexo de uma sociedade sem criticidade, causando inúmeros e diversos malefícios, como as agressões físicas e psicológicas, o aumento da intolerância e o discurso de ódio. Logo, enquanto a disseminação de inverdades for relevante, a extirpação dos danos atribuídos a ela será uma utopia.

Outrossim, a educação digital consiste na conscientização e no treinamento das pessoas para lidarem corretamente com as tecnologias, entretanto, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, no Brasil, ainda não têm acesso à educação tecnológica. Sendo assim, a insipiência no que tange ao mundo virtual corrobora a manutenção da veiculação dos boatos na internet, uma vez que há uma defasagem na formação educacional para a verificação precisa das notícias, como a análise das fontes, dos dados e da ortografia.

Portanto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações a elaboração de políticas e diretrizes para promover o desenvolvimento adequado das telecomunicações e da internet, por meio de investimentos na implementação da educação digital na Base Nacional Comum Curricular como uma disciplina obrigatória, consolidando o conhecimento dos aparatos tecnológicos, além de fortalecer dispositivos legais de repressão, de responsabilização e de criminalização nas redes. Isso deve ser feito com o intuito de mitigar os riscos das notícias falsas, fometando o senso crítico dos brasileiros e promovendo a repressão para essa prática adversa. Somente assim, será possível evitar que situações como aquela do Plano Cohen se perpetuem.