Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 27/09/2021

O documentário dilema das redes, criado pela netflix com a colaboração de ex-funcionários de grandes corporações midiáticas e de redes sociais, chocou o mundo ao expor os diversos tipos de manipulação de dados pessoais e informações exploradas dos usuários, sem que estes estivessem necessariamente cientes, para constituir um sistema algorítmico com o propósito de viciar as pessoas que utilizavam os respectivos aplicativos. Semelhantemente, a utilização das redes sociais com fins meramente de entretenimento e disseminação de informações, pode acarretar em consequências que indiretamente afetam o usuário, como por exemplo nas mentiras e boatos publicados na internet, levando à alienação e ao uso indiscriminado do mesmo.

Primeiramente, é necessário ressaltar a falta de credibilidade que muitas fontes de notícias na internet possuem, tanto por conta do enorme fluxo informacional o qual elas constituem, misturando-se assim textos verdadeiros e falsos, tanto por conta da omissão dos internautas em efetivamente verificar a veracidade daquilo que se compartilha, como no caso do Facebook e Twitter. Assim, se enquadrando perfeitamente no conceito de Zygmunt Bauman de sociedade líquida, as pessoas preferem demonstrar a rapidez que elas se conscientizam sobre determinado assunto, meramente transparecendo suas opiniões, do que de fato se preocupando aceca da credibilidade do que se fala. Desta forma, networks que possibilitam o rápido acesso à uma enorme quantidade informacional acabam por se configurar centros perigosíssimos de fake news.

Logo, dados inverossímeis sobre diversas matérias são de interesse para serem disseminados por qualquer tipo de entidade que tenha a capacidade de lucrar com tais. Quando se compartilha um determinado post sobre políticos, ou figuras famosas, sem o trabalho de verificar a credibilidade da publicação, o usuário inconscientemente corrobora com um complexo sistema que trabalha em função de promover conteúdos, independentemente da natureza dos tais, para assim duplamente favorecer o meio no qual se visualiza a discussão, seja o site ou rede social, gerando assim mais interação e acessos, e a indústria que está promovendo o assunto, levando à alienação do indivíduo e ao vício na dinâmica do fluxo informacional possível em tais meios, rápida e aparentemente inconsequente.

Desta maneira, faz-se imprescindível a intervenção direta do Ministério da Cultura e da Cidadania, com o propósito de intervir diretamente na situação em questão, promovendo palestras educativas sobre a utilização de redes sociais e a consequente alienação do indivíduo em promover notícias falsas. Assim, a sociedade brasileira avançará em direção à um futuro mais responsável no tocante ao compartilhamento de informações e a conscientização individual dos internautas sobre as redes sociais.