Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 09/11/2021
A revolução informacional caracterizou-se pela inserção gradativa da rede mundial de computadores a partir do século XX. Desde então, é evidente a praticidade ocasionada pela ferramenta, a qual tornou as interações instantâneas e constantes. Porém, é preciso ressaltar o principal malefício do uso da internet nos dias atuais: a difusão de inautenticidades. Nesse sentido, essa problemática persiste em razão da ausência de criticismo, e traz graves riscos ao pleno convívio em sociedade.
Em primeiro plano, ainda que antiga, a análise platônica conhecida como “o mito da caverna” torna possível compreender a cultura do compartilhamento de mentiras no meio digital. Analogamente, a caverna escura representaria a Internet; as amarras corresponderiam à falta de senso crítico; e as terríveis consequências exprimiriam as sombras que amedrontam os prisioneiros. Sob esse aspecto, entende-se que os indivíduos aprisionados pela ignorância não conseguem deixar o mundo obscuro em direção à luz do conhecimento e da veracidade.
Por conseguinte, são diversos os percalços do compartilhamento de mentiras na rede. Einsten afirmava que a tecnologia superaria a característica humana, o que tem se provado no mundo atual, pois as postagens são feitas de maneira apática, sem que sejam examinadas as possíveis consequências do ato. Assim, a abstração e incerteza do conteúdo exposto na mídia são mencionadas pela psiquiatra brasileira Ana Beatriz Barbosa, no livro “Mentes ansiosas”. A médica afirma que o uso da tecnologia tem levado pessoas a desenvolverem ansiedade, depressão e falta de autoconfiança. Logo, evidenciam-se os malefícios da presença de fake news na sociedade contemporânea.
Tendo em vista os efeitos negativos da disseminação de boatos na esfera digital, é mister que haja uma intervenção por parte dos representantes políticos. Portanto, o Governo Federal deve, por meio do sistema digital, criar um canal de denúncias que esteja pronto a investigar notícias duvidosas. A central deverá contar com atendentes especializados, possibilidade de banimento de dados mentirosos e aptidão jurídica para conferir a confiabilidade de sites. Assim sendo, os navegadores poderão acessar conteúdos mais fundamentados, e por fim, soltar-se das amarras da ignorância.