Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 07/11/2025
‘‘Se podes olhar vê, se podes ver repara’’. Essa foi a frase escrita por José Saramago na obra ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’. A história desse livro retrata a sociedade diante de uma epidemia marcada pela alienação. Enquanto a ‘‘cegueira branca’’ foi motivo de tanta brutalidade na ficção, o alheamento diante dos riscos causados pelo consumo excessivo de álcool e de outras drogas entre os jovens gera a perpetuação e, consequentemente, a normalização dessa atitude. Desse modo, é preciso discutir essa problemática para, assim, solucioná-la.
Nesse sentido, é válido ressaltar que o primeiro contato de adolescentes e jovens com substâncias ilícitas se dá de diversas formas. Dentre elas, destacam-se as festas, onde é possível encontrar opções variadas de bebidas e outras drogas e, sem ser exigido do indivíduo comprovação de idade ou até sendo distribuídas gratuitamente. Além da alta disponibilidade, ao ver muitas pessoas bebendo e ao receber pressão de outros, o cidadão acaba tomando a mesma atitude para se sentir pertencente. Nesse contexto, um estudo do IBGE revela que quase 50% das pessoas entre 13 e 15 anos já consumiram drogas em eventos e 15% delas influenciadas por amigos. Assim, fica visível que é preciso buscar medidas para reduzir o consumo de substâncias ilegais pelos jovens em festas e outros eventos.
Ademais, ao ingerir compostos químicos precocemente, o risco de desenvolver transtornos mentais e vícios é muito maior. Isso ocorre porque, sem ter fiscalização e responsabilidade, o consumo pode ser exacerbado, causando tontura, coma ou até mesmo, a longo prazo, morte. Nesse cenário, o coordenador da UFMG, Frederico Garcia, ressalta que a ingestão dessas drogas na juventude aumenta o risco de dependência e pode causar danos como qualquer doença crônica.
Por isso, é necessário que o Poder Público, sobretudo as polícias, aumentem a fiscalização em estabelecimentos que possuam bebidas alcoólicas e implementem penas mais severas aos que descumpram as exigências de identificação, fazendo com que o acesso a esses compostos seja restrito. Além disso, é preciso que o Ministério da Educação faça campanhas e palestras sobre o consumo de ilícitos nas escolas, visando conscientizar os adolescentes e jovens sobre os riscos, tornando-os mais responsáveis. Assim, o país se tornará um exemplo no cuidado dos jovens.