Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 19/04/2019

No filme ‘’Kids’’, de 1990, relata a história dos garotos Telly e Casper, moradores de um bairro humilde de Nova York que conhecem a bebida alcoólica através de seus amigos. Nesse sentido, a narrativa destaca como os jovens passam a comportar-se de maneiras inadequadas após a ingestão excessiva da substância, além de mostrar que o álcool foi uma ponte para as drogas. Fora da ficção, esse cenário é visível no cotidiano brasileiro de muitos adolescentes, visto que o consumo intenso da bebida saiu do controle do país, seja pela influência dos grupos sociais, ora pelo papel atuante dos familiares.

Em princípio, cabe analisar que muitas pessoas conhecem o álcool por meio de seus convívios sociais. A título de exemplo, isso ocorre devido ao chamado viés de grupo, que permeia principalmente entre jovens, já que por uma necessidade de aceitação em um grupo social, o indivíduo copia comportamentos. Bem como vários adolescentes, que não têm o hábito de ingerir a bebida, passam a inserir apenas para agradar um conjunto de amigos – situações semelhantes vistas em ‘’Kids’’. Por consequência, o consumo excessivo tende a provocar problemas de saúde, a curiosidade por substâncias ilícitas e dependência química, conhecida como alcoolismo.

Ademais, além do convívio grupal, a atuação dos familiares também corrobora para costumes alcoólicos entre jovens e convém ser contestada sob a visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Segundo o autor, as pessoas seguem a correnteza, obedecendo suas rotinas diárias e previamente impossibilitadas de mudá-la. Analogamente, na medida em que pais dividem momentos repletos de bebidas alcoólicas com seus filhos, acaba por favorecer que os jovens sigam a fluidez e atuem no experimento precoce, no qual, em 2014, segundo a Agência USP de Notícias, 28,7% dos adolescentes brasileiros relatam ter o primeiro contato com a substância em casa. Logo, a prática antecipada e a falta de limites impostos pelos responsáveis, auxilia para que os garotos abusem do consumo, o que pode levar a intoxicações corporais.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, através de programas educativos, difundir esse assunto nas escolas para pais e alunos, de modo a dar relevância em aspectos que os responsáveis possam usar no cotidiano, com seus filhos, sem classificar o álcool como uma bebida benéfica. Dessa forma, será possível quebrar o interesse precoce dos jovens e deixá-los experimentar quando adquirirem consciência. Além disso, a mídia digital, por meio de postagens em redes sociais – local mais usado pelo público juvenil – ,deve divulgar campanhas institucionais que destaquem os riscos da substância, a fim de desconstruir a valorização da bebida e inibir que o viés de grupo influencie adolescentes, assim como fizeram com Telly e Casper no filme ‘’Kids’’.