Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/07/2019

O aumento do consumo de álcool e outras drogas entre os jovens no Brasil é um problema que necessita ser atenuado. Nesse viés, consoante dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2015, 55,5% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental relatam já ter consumido bebida alcoólica e 9,0% experimentaram drogas ilícitas, índices superiores ao observado nas pesquisas anteriores e preocupantes, visto que muitos são os riscos do consumo dessas substâncias, principalmente por adolescentes. Diante da temática exposta, dois aspectos fazem-se relevantes: a influência da mídia e o medo da rejeição.

Em primeira análise, cabe pautar que as mídias de massa exercem grande influência nos altos índices de consumo de álcool. Nessa conjuntura, ressalta-se a máxima do linguista cognitivo Noam Chomsky: “ a imprensa pode causar mais danos que uma bomba atômica e deixa cicatrizes no cérebro”. Ao encontro desse pensamento, infere-se que as propagandas, divulgadas diariamente nas grandes redes televisivas, induzem ao consumo a partir da relação da bebida com euforia, prazer e autonomia, o que ilude e instiga muitos dos jovens brasileiros ao consumo.

Em segunda análise, é cada vez mais evidente a dependência que os jovens têm de serem aceitos nos grupos sociais em que estão inseridos. Por conseguinte, o álcool e as drogas, substâncias associadas a experiências adultas e rebeldes, suscitam a curiosidade dos mais novos, os quais, quando não devidamente orientados, em busca de popularidade, tendem a experimentá-las. Destaca-se, a partir disso, o estudo sobre o conformismo, do psicólogo social Solomon Asch, que mostrou a tendência do indivíduo de omitir sua própria opinião e aderir a opinião da maioria, a qual, no contexto em questão, resume-se em aceitar substâncias psicoativas oferecidas pelo grupo para, dessa forma, ser aceito.

Portanto, é inegável que medidas fazem-se necessárias para atenuar a situação descrita. Para isso, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária proibir a divulgação das propagandas de bebidas alcoólicas, de forma análoga ao que ocorreu com os comerciais de cigarro, para, dessa forma, acabar com a influência da midiática. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação orientar suas instituições de ensino a promoverem debates, nas aulas de sociologia, sobre a manipulação que os grupos sociais exercem sobre a conduta do indivíduo para que, assim, conduza os estudantes a reflexão e a conscientização sobre o tema. Logo, a partir do conjunto de ações supracitadas, o consumo de álcool e outras drogas entre os jovens tenderá ao declínio.