Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 11/08/2019
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social consiste em maneiras de agir e pensar que contribuem para que os indivíduos sigam um comportamento coletivo generalizado. A partir dessa ideia, muitos jovens veem no uso de drogas uma forma de integração social, marcada pela fase da experimentação, fazendo com que o indivíduo acredite ter poder e controle sobre si mesmo. Embora as consequências de seu consumo sejam ignoradas por parte dos usuários, é preciso reconhecer as drogas como um problema de saúde pública no Brasil e analisar alternativas para contê-la. Primeiramente, a mídia teve alta influência no estímulo às drogas lícitas. Durante os anos 90, em países do continente americano, como o Brasil, houve um “boom” na comercialização do tabaco: personagens de novelas e filmes que fumavam cigarros atrelavam-se a um perfil de descontração e poder, o que propiciou a glamourização da nicotina, vista pelos interlocutores como uma válvula de escape à realidade. Por conseguinte, parte significativa da população aderiu ao consumo e, hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer de pulmão – muitas vezes relacionado ao uso frequente de cigarro – é uma das doenças que mais matam no mundo, revelando a necessidade de políticas públicas para combater esse mal.
Além disso, a proibição de substâncias ilícitas é o modelo mais adotado nos países, porém, o número de usuários aumenta todos os anos. A frase popular “Tudo que é proibido é mais gostoso” parece fazer sentido nesse contexto e, segundo o site BBC, o narcotráfico é a principal atividade do crime organizado e a que mais rende faturamento no mundo. Neste sentido, medidas são necessárias para a sociedade brasileira com o objetivo de melhorar esse desafio assim como foi feito no governo Uruguaio que, em 2016, liberou a legalização da planta Cannabis como estratégia para combater o tráfico e diminuir o índice de criminalidade no país; tal ação resultou na diminuição do consumo de drogas, tendo uma intervenção mais efetiva do que a do proibicionismo.
Portanto, as drogas são desafiadoras no cenário brasileiro, mas há formas de retê-las. Mesmo que, atualmente, vários países coíbam propagandas televisivas que incitem o tabagismo, é imprescindível que a mídia e o Ministério da Saúde reforcem campanhas que alertem sobre os prejuízos do cigarro e que haja mais postos de saúde que ofereçam tratamento àqueles que queiram se livrar do vício. Ademais, o Brasil deve reforçar suas políticas públicas com intensa fiscalização para conter o narcotráfico. Seria bem-visto, ainda, se o Governo se inspirasse em intervenções internacionais, visto que o proibicionismo contém falhas e que a redução do consumo pela legalização possui comprovações científicas.