Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Os movimentos de Contracultura no Brasil, durante as décadas de 1960 e 1970, defendiam a ruptura dos valores tradicionais colocando em evidência o uso de drogas ilícitas e o consumo de álcool como fatores de resistência. Esse cenário não é diferente no século XXI, no entanto, o uso dessas substâncias não é mais um instrumento de contestação, mas um mecanismo de fuga social. Assim, o crescimento da dependência química e negligência da realidade são resultado dessa intensa procura por narcóticos no país.

Nesse contexto, o aumento do consumo de entorpecentes entre a juventude brasileira pode gerar o vício nesses elementos. Segundo o filósofo Rosseau, o homem nasce livre mas por toda a parte encontra-se acorrentado. Análogo a essa teoria, o uso de drogas lícitas e ilícitas produz no ser humano a maior necessidade de utilização contínua, haja vista que elas estimulam a produção de neurotransmissores, como a dopamina, os quais proporcionam a sensação de prazer ao indivíduo. Ademais, com o tempo, a quantidade ingerida  precisa ser maior para causar os mesmos resultados. Logo, em busca de se obter por mais vezes essa sensibilidade, uma grande parcela das pessoas fica prisioneira desses efeitos de satisfação individual.

Além disso, as drogas são utilizadas para o escape dos jovens da realidade em que os transtornos psicológicos se mostram intensos na contemporaneidade. A partir de dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com mais pessoas com transtorno de ansiedade no mundo. Com efeito, a juventude inserida nesse panorama, busca, por meio dos narcóticos, os quais oferecem uma anestesia mental, uma fuga dos problemas enfrentados no cotidiano, como a pressão social de ser bem sucedido de modo precoce. Assim, eles ignoram seus reais impasses pessoais em busca do prazer imediato e omissão de suas dificuldades.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir o acesso dos jovens às drogas no país. É imprescindível, então, a atuação do Governo Federal na taxação das empresas que produzem drogas lícitas, como o álcool e o cigarro, mediante projeto sancionado pelo senado federal, para que os produtos sejam mais caros e tenham acesso limitado à população, com o objetivo de minimizar o consumo. Faz-se necessário, também, a discussão na mídia televisiva, através de novelas e séries sobre o uso das drogas para amenizar transtornos psicológicos, à vista de mostrar a situação real que permeia a sociedade brasileira. Por conseguinte, menos indivíduos utilizarão esses meios como forma de oposição ou esquecimento da verdade.