Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/09/2019
O escritor Lima Barreto, após uma carreira efêmera com a difusão de suas obras, debruçou-se no alcoolismo que ocasionou sua morte antes de atingir a expectativa de vida da época. Na contemporaneidade brasileira, pode-se afirmar, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, uma redução no consumo de álcool por adultos, porém houve um aumento entre os adolescentes e, uma das principais causas é a mídia com suas propagandas persuasivas sobre bebida alcoólica em horários inapropriados, fazendo-se necessário medidas urgentes.
A priori, o sociólogo Émille Durkheim dita sobre o fato social como maneira de coerção presente na sociedade atual, onde prevalece o pensamento de um grupo sobre o indivíduo, sendo esse influenciado pelos valores que o cercam. Em vista disso, é possível perceber que muitos jovens começam a ingerir bebidas alcoólicas em virtude da pressão social impostas sobre eles, pois o uso dessa é necessário ao adentrar à adolescência. Dessa maneira, como o coletivo sobrepõe-se sobre o indivíduo, esse começa a ingerir bebida graças a imposição, e assim essa cultura vai se repassando e influenciando novos grupos de adolescentes cada vez mais jovens. É oportuno citar, com isso, o Mito da Cavera de Platão, em que a caverna simboliza o mundo onde todos vivem, enquanto as correntes significam a ignorância, pois o jovem, muitas vezes, prefere ficar preso à ideias pré-estabelecidas, evitando pensar e refletir sobre suas atitudes.
Outrossim, vale citar a mídia como uma das principais influenciadoras do consumo alcoólica, com suas propagandas em horários de maior audiência, tornando cada vez mais maior o número de dependentes. Além disso, há o caso da lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, entretanto, que não é respeitada, sendo comum a venda para adolescentes em diversos estabelecimentos. Consoante o pensamento de Schopenhaur, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto esses problemas não afetarem a sociedade em geral, essa não dará importância. Compreende-se, portanto, a necessidade de o Estado reformular suas leis voltadas para o público jovem. O Conselho Tutelar, amparado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, deve reforçar a proibição da venda de bebidas alcoólicas aos jovens, mobilizando a fiscalização e estabelecendo multas árduas para os estabelecimentos e indivíduos em desacordo. Ademais, cabe ao Ministério da Educação promover nas escolas –máquinas socializadoras- públicas e privadas, a formação de jovens mais críticos quanto ao uso de bebidas alcoólicas, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo e que envolvam a família. Por fim, a mídia, por seu caráter de influência às massas , deve fomentar a importância da participação família, à disposição para o diálogo, investindo na prevenção do problema que marcou o pré-modernismo brasileiro.