Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 15/09/2019

O escritor Lima Barreto, após uma carreira efêmera com o sucesso de suas obras, debruçou-se no alcoolismo, que ocasionou sua morte antes de atingir a expectativa média de vida da época. Diante disso, na contemporaneidade brasileira, pode-se afirmar, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, uma redução no consumo de álcool por adultos, porém houve um aumento entre os adolescentes, sendo a mídia , uma das responsáveis com suas propagandas de bebidas alcoólicas em horários inapropriados, fazendo-se prementes medidas urgentes.

Em primeira análise, é lícito postular que o sociólogo Émille Durkheim dita sobre o fato social como maneira de coerção presente na sociedade atual, em que prevalece o pensamento de um grupo sobre o indivíduo, o qual é influenciado pelos valores que o cercam. Por conseguinte, é possível perceber que muitos jovens começam a ingerir bebidas alcoólicas em virtude da pressão social imposta sobre eles, pois o uso parece necessário ao adentrar à adolescência e, assim, tal cultura tem se repassado e influenciado novos grupos de adolescentes, cada vez mais jovens. Analogamente ao Mito da Caverna de Platão, tendo em vista que a sociedade precisa se livrar dos grilhões do vício, o jovem, muitas vezes, prefere ficar preso as ideias preestabelecidas e evitar refletir sobre suas atitudes.

Outrossim, vale destacar a mídia como uma das principais influenciadoras do consumo alcoólico, com propagandas em horários de maior audiência jovem, tornando-se cada vez maior o número de dependentes. Há a lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas para menores de dezoito anos, entretanto, não é respeitada, sendo comum a venda para adolescentes em diversos estabelecimentos. Consoante ao pensamento de Schopenhaur –filósofo alemão- de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto esses problemas não afetarem a sociedade em geral, essa não dará importância.

Compreende-se, portanto, a necessidade de o Estado reformular suas leis voltadas para o público jovem. Dessarte, o Conselho Tutelar, amparado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, deve reforçar a proibição da venda de bebidas alcoólicas aos jovens e mobilizar a fiscalização, estabelecendo multas árduas para os estabelecimentos e indivíduos em desacordo. Ademais, é necessária uma lei que proíba propagandas sobre bebida alcóolica em horários de audiência jovem e, por fim, cabe ao Ministério da Educação promover nas escolas –máquinas socializadoras- públicas e privadas, a formação de jovens mais críticos quanto ao uso de bebidas alcoólicas, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo e que envolvam a família, investindo na prevenção do problema que marcou Lima Barreto no pré-modernismo brasileiro.