Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/09/2019

No livro “Misto Quente” do romancista Charles Bukowski, o protagonista Henry Chinaski, alter ego do autor, é um adolescente carente de afeto e atenção tendo em vista a personalidade agressiva dos seus pais. Face a esse cenário, o infeliz personagem Bukowskiano cresce depressivamente, buscando narcóticos subterfúgios para o alívio do seu anátema emocional, tal como a maconha. Fora da obra, Chinaski contextualiza a realidade de milhares de jovens brasileiros que se rendem ao fetichismo psicotrópico em virtude do déficit afetivo familiar convergente ao ideal consumista de felicidade, que consequentemente, reflete prejudicialmente na saúde do usuário e dependente químico.

A princípio, é relevante destacar que, a ausência emotiva parental consoante a ideia de que consumir é igual a felicidade corrobora como porta de entrada para o ilusório mundo dos narcóticos. De acordo com estudos psiquiátricos publicados do site antidrogas, uma pesquisa realizada com 523 usuários de entorpecentes identificou que 77% já sofriam de depressão antes do contato com os alucinógenos ocasionada pelo abandono afetivo familiar - situação semelhante vista no livro “Misto Quente”. Em acréscimo à problemática, o imperativo consumista como satisfação pregado pela sociedade é o estopim utilizado para a continuidade do vício, visto que a sensação prazerosa proporcionada pelos opioides supri a carência do prazer empático negado pela família.

Por conseguinte, ao se averiguar as causas supracitadas da dependência química, depreende-se uma discussão acerca das consequências da permanência do quadro. Baseando-se nas premissas do psiquiatra Arthur Guerra, o usuário opioide é considerado dependente quando esse trata o produto como elemento necessário para a continuidade da vida, mesmo sabendo que os narcóticos podem causar transtornos mentais, câncer e óbito. Concernente ao exposto, certifica-se que o necessitado químico sofre tanto com o uso das drogas quanto a ausência dela.

Diante do exposto, faz-se imperioso que medidas sejam tomadas para a contenção da dependência de drogas ilícitas entre os jovens brasileiros. Em síntese, é mister que a mídia, a escola, a família, o Ministério da Saúde (MS) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) estejam engajados em ações que visem a prevenção, o tratamento e o combate desse anátema social. Sob esse viés, é possível que estes agentes sociais, respectivamente, via campanhas antipsicoativos, acompanhamento psicológico, orientação familiar, criação de uma equipe multidisciplinar de psiquiatras, psicólogos e terapeutas, bem como maior rigidez quanto à fiscalização de mercadorias entre fronteiras, objetivem prevenir o contato com as drogas, tratar os dependentes e combater a imigração narcótica no país. Somente dessa maneira, a atual conjuntura supracitada será resolvida e a saúde do Brasil assegurada.