Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 05/10/2019

Em “Euphoria”, uma série estadunidense, é representada uma geração vazia em sua constante busca pela aceitação. Nesse contexto, a trama foca na jornada de Rue, que, mesmo após sofrer uma overdose e passar por um centro de reabilitação, não demonstra interesse em abandonar seus vícios. Analogamente, a obra traz uma perspectiva sobre a razão dos jovens, por serem naturalmente mais vulneráveis, podem recorrer ao consumo de drogas, o qual, como efeito da alienação midiática e da ineficácia das leis, possui riscos de ascendência.

Primordialmente, é evidente que a idealização dos alucinogênios pela mídia influencia a consolidação destes hábitos viciosos na adolescência, estágio em que os indivíduos são mais suscetíveis a manipulação. Consoante a isso, conforme preconizado pelo filósofo Santo Agostinho, o ser humano está constantemente buscando a satisfação como uma tentativa de preencher seu vazio existencial infinito com coisas finitas, as quais, no caso, seriam os entorpecentes. Nesse sentido, as produções cinematográficas e televisivas frequentemente distorcem os reais efeitos do uso desses, retratando-os como uma fonte de felicidade capaz de suprir a deficiência emocional característica da fase juvenil. Contudo, o seriado “Euphoria” conseguiu quebrar essa ilusão ao representar de forma realística a vida de um viciado.

Outrossim, convém investigar a natureza da facilidade de acesso à substâncias lícitas ou ilícitas pelos adolescentes. Dessa forma, como apontado pelo sociólogo Émile Durkheim, as ações do homem estão intimamente relacionadas com o ambiente em que ele está inserido. Considerando-se o exposto, como fruto da negligência governamental em relação a fiscalização da venda de bebidas alcoólicas para menores de idade, os jovens brasileiros convivem em um meio marcado pelo alcoolismo. Por conseguinte, isso induz a construção de uma visão do consumo prematuro do álcool e de outros entorpecentes como uma normalidade, originando, assim, uma dependência desses.

Em vista do que foi mencionado, o cenário atual urge de intervenções imediatas. Sendo assim, para evitar o crescimento dos números de adolescentes usuários de drogas, cabe ao Ministério da Educação, aliado de profissionais da saúde e das famílias, desconstruir a imagem distorcida fabricada pela mídia no que se diz respeito ao uso destas substâncias. Isso deve ocorrer por meio da elaboração de um plano pedagógico que incentive os estudantes a realizarem apresentações, discussões e debates sobre o assunto, o qual deve se estender a esfera familiar. Somente assim será possível prevenir que a juventude brasileira não sofra o mesmo trágico destino da personagem Rue, que, embora seja parte de uma obra fictícia, é inspirada em um problema real.