Riscos do aumento do consumo de álcool e de outras drogas entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/10/2019

De acordo com o ideário do filósofo Lipovetsky, a hipermodernidade é marcada pela cultura de excessos. Sob essa perspectiva, durante a segunda fase do Romantismo no século XIX, jovens literários brasileiros, a exemplo de Álvares de Azevedo, demonstravam em suas obras uma vida boêmia, “regada” ao uso excessivo de drogas e vícios constantes. Nesse contexto, lamentavelmente, tal literatura mostra-se mais atual do que nunca, haja vista a postura exagerada no consumo de álcool e de outras drogas pelos jovens brasileiros, uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Nesse âmbito, convém analisar as vertentes que englobam tal problemática.

Em primeiro plano, é indubitável que a manutenção e a intensificação do consumo dessas substâncias pelos jovens, estão intimamente relacionadas com a coerção dos meios midiáticos. Decerto, as propagandas de bebidas alcoólicas são atrativas, evidenciando, assim, uma cultura de embriaguez. Nesse viés, o consumo de bebidas alcoólicas, tabaco e outras drogas lícitas, são estimulados por meio de músicas, séries de TV e filmes, visto que, retratam o uso dessas substâncias como algo normal durante a adolescência.

Outrossim, vale ressaltar os efeitos degradantes que tais substâncias psicoativas provocam na vida do indivíduo. Dessa forma, é factível que o consumo precoce além de trazer consequências maléficas à saúde, pode potencializar a dependência química e desenvolver, ao longo do tempo, alterações psicológicas. Fato preocupante, uma vez que, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, mais da metade dos jovens menores de 18 anos de idade, já consumiram algum tipo de droga. Concomitantemente a essa realidade, segundo dados da OMS, Organização Mundial da Saúde, o álcool é o maior responsável por mortes de brasileiros entre 15 a 19 anos, em acidentes e paradas cardíacas. Assim, torna-se evidente que o aumento do consumo de álcool, tabaco e outras drogas lícitas, como antidepressivos e calmantes, pelos jovens brasileiros, apresenta-se como um entrave que necessita ser modificado.

Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, faz-se necessária a atuação governamental, por intermédio do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária, supervisionando e punindo financeiramente as empresas, a exemplo das cervejarias, que realizam propaganda massiva sem alertas sobre os efeitos nocivos do álcool, com o intuito de atenuar o consumo precoce e indiscriminado de álcool. Ademais, uma fiscalização eficiente, realizada pela Secretaria de Juventude, em estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas e cigarros é deveras importante, a fim de mitigar a venda desses entorpecentes a jovens menores de 18 anos.